PESSOAL | Primeiro eu!

Como devem ter reparado, o blogue tem estado bastante inactivo desde meados de Janeiro. Não estou a viver um bom momento, a nível profissional, e esse facto tem contagiado tudo à minha volta, inclusive a minha motivação para partilhar convosco o que tenho sentido. 

Não quero, de maneira nenhuma que o blogue se torne num muro de lamentações, mas é um facto que o criei para partilhar momentos da minha vida, sejam eles bons ou maus, e ajudar, de alguma forma, quem me lê, a perceber que não são os únicos a passar por determinadas situações.

Tenho adiado a partilha desta publicação, porque estou em conflito comigo mesma, num debate interno constante entre o que quero e o que acho que devo fazer. Sempre foi e sempre será este o problema. Estou de tal forma infeliz que são raros os dias em que não chego a casa em lágrimas. Ando sem energia para nada e vou passando pelos dias, em piloto automático, a desejar apenas que estes meses passem num piscar de olhos.

E é neste momento que se está a tornar preocupante. Estou a deixar-me contagiar por um ambiente tóxico, por pessoas difíceis e por um trabalho do qual não tiro proveito e que não me faz feliz. Estou, somente, a cumprir uma formalidade e a receber um ordenado. E isso não é suficiente. Nem tem que ser.

Tenho reflectido muito, ao longo dos últimos meses, e grande parte das minhas dúvidas sobre decidir o que fazer devem-se ao facto de estar numa situação que, para todos os efeitos, é temporária. E durante algum tempo agarrei-me a essa certeza para conseguir aguentar uma semana, e outra e mais outra. No entanto, já tenho as minhas energias no limite. E, apesar de saber que dentro de 8 meses finalizo esta etapa, conheço-me e sei que será muito difícil aguentar tantos meses, nesta situação.

Esta experiência profissional está a revelar-se mais penosa do que benéfica e, neste momento, sinto-me emocionalmente fragilizada e com muito pouca energia e motivação de sobra. Estou a colocar-me, não em segundo plano, mas em último e não estou a viver a vida que devo.

E por isso decidi que é altura de tomar uma decisão para tentar mudar esta situação. Decidi que estava na altura de pensar em mim e na minha saúde mental e deixar as necessidades, vontades e opiniões dos outros em segundo plano.

Durante as próximas semanas e meses tentarei esclarecer-vos e manter-vos actualizados sobre esta situação e partilharei convosco as razões que me levaram a pensar tomar esta decisão.

QUOTIDIANO | O que faço para relaxar

Não tenho uma rotina específica ou muito estruturada do que fazer quando quero relaxar, pois acho que a melhor forma de o conseguir é fazer aquilo que me dá prazer. Considero importante, depois de um dia de trabalho ou estudo, ou ao fim-de-semana, reservar algum tempo para descontrair e libertar tensões - seja uma corrida ou caminhada pela praia, um banho antes de ir dormir ou o meu programa favorito na televisão -. Gosto de dedicar tempo a relaxar e são vários os hábitos que adoptei e que me ajudam a cuidar da minha saúde física e mental, depois de uma semana de trabalho.


| Exercício físico
O exercício físico - mais concretamente as aulas de Pilates - tornou-se o meu maior aliado no combate ao stress diário. Esta modalidade começou a fazer parte da minha vida quando me foi detectado um problema de coluna, a Escoliose, de que já vos falei aqui. Foram sugeridas várias modalidades de treino, com o intuito de fortalecer os músculos e reduzir as dores e o Pilates foi a que mais me agradou. Para além de tornar o corpo estruturalmente mais forte, tonificando e fortalecendo os músculos que rodeiam e suportam o tronco, alonga e melhora a postura e alia o treino físico ao mental. São vários os elementos a ter em conta durante uma aula, como a concentração, a respiração, o controlo e a precisão, o que automaticamente nos liberta de pensamentos alheios à aula, pois temos de nos concentrar naquele exercício em específico. Tento reservar, pelo menos, dois dias na semana para fazer 45 minutos desta modalidade, que já faz parte da minha rotina semanal.

| Passeios/ caminhadas
Na minha perspectiva, existem poucas coisas que superam a liberdade de estar ao ar livre. Viver perto da praia tem a vantagem de permitir que, em menos de 10 minutos, consiga pisar a areia e descontrair ao sol. No entanto, fora da época balnear, gosto de rumar até ao paredão e caminhar junto à costa. Seja com o propósito de fazer exercício, aproveitar a paisagem ou passear o Óscar, todas as razões são válidas para sair de casa. Seja pela praia, pela serra, ou pela localidade onde vivo, aproveito para estar ao ar livre, tantas vezes quanto as condições meteorológicas o permitem.

| Leitura
É na leitura que me refugiu quando o tempo não convida a passeios e, para mim, é uma excelente forma de descontrair. Durante aquela hora em que leio uns quantos capítulos, estou imersa noutras histórias, noutras vidas e focada noutros personagens. É um passatempo óptimo para fugir à rotina e relaxar, ao mesmo tempo que enriqueço o meu vocabulário, cultura geral, o meu sentido crítico ou, pura e simplesmente, alimento a minha veia romântica. Ultimamente tenho dedicado mais tempo à leitura, do que nunca e noto que tem contribuído para aliviar a tensão diária.

| Filmes/ Séries
A par da leitura, o cinema e a televisão fazem parte da minha rotina quase diária. É a derradeira actividade de final de dia e aquela que faço imediatamente antes de ir dormir. Para muitos serve para despertar mas, para mim tem o efeito contrário. Relaxa-me. Gosto especialmente de assistir a séries de comédia, leves, como as que já partilhei nesta publicação, e desligar-me por completo do stress acumulado durante o dia. 

Na hora de relaxar procuro estar o mais descontraída possível e rodear-me das coisas e pessoas de que mais gosto. Fora as actividades que faço, existem outros elementos que me permitem criar um ambiente relaxante e descontraído, no final do dia, e libertar-me de tensões: como o simples acto de acender velas de cheiro e deixar que seja apenas essa luz a iluminar uma divisão; colocar música de fundo, audível, mas num nível que me permita concentrar a ler um livro, recostada e de manda no colo. Coisas simples, mas que me permitem terminar um dia de forma mais relaxada e descontraída.

E para vocês, quais são as melhores estratégias para relaxar?

RETROSPÉCTIVA | Janeiro 2018

Janeiro começou como todos os Janeiros – com a premissa de renovação, novidade e recomeços. E foi tudo isso para mim, juntamente com outros sentimentos mistos e contraditórios. Foi um mês de desesperança, dúvida, indecisão e impaciência. Mas também de esperança, surpresa, alegria, entusiasmo, calmia e concretização. Começou com imensas interrogações, mas acabou certo e com uma enorme sensação de conquista, alívio e o respirar fundo e desacelerar típico de quem corta a meta depois de uma longa maratona/ corta-mato, em condições adversas e por caminhos sinuosos. Para ser clara a respeito das múltiplas facetas que este meu Janeiro teve, sem mais rodeios, partilho convosco que o primeiro mês de 2018 culminou com a derradeira aprovação do meu estágio profissional (ou Ano Profissional Júnior, segundo a nova designação), para a Ordem dos Psicólogos Portugueses. Sim!

Após mais de 1 ano de espera, pré-aprovações, burocracias mil, muitos estou farta e não vou conseguir, o Sim chegou, finalmente. Foram longos meses de espera, a grande parte com a esperança do meu lado, mas alguns deles inundados de dúvidas e muita ansiedade. Felizmente não deixei de tentar e a recompensa chegou na forma de um contrato para estágio profissional – o primeiro passo para o início da minha vida profissional.

A motivação altera inevitavelmente, quando vemos o nosso esforço recompensado. E era por esta noticia que esperava há demasiado tempo. Agora sei que o trabalho que tenho feito será valorizado e que estarei, oficialmente, na caminhada para me tornar uma melhor profissional.
Esta foi a primeira grande mudança que 2018 me proporcionou e desta forma, sei que o meu Janeiro não poderia ter terminado melhor, dando o mote para um inicio de ano cheio de força, alegria e motivação. Ufa, consegui!


MOVIE 36 | Janeiro em filmes


O meu contributo para o primeiro mês do Movie 36 esteve quase para não acontecer, o que me estava a deixar desiludida, pois tinha estabelecido um compromisso e estava prestes a nem sequer dar-lhe início. Foi um mês atarefado, com a ansiedade nos picos, mas apesar disso consegui ver alguns filmes. Simplesmente não foi tão fácil encaixar espaço para escrever sobre isso.

Dado que não pude dedicar mais tempo e atenção à escolha cuidada e pensada dos filmes para Janeiro, acabei por ver o que dava na televisão, exceptuando a ida ao cinema no sábado passado, mas até essa escolha foi condicionada pelas sessões esgotadas. Estávamos inclinadas para ver os nomeados aos Oscars The Post, ou Chama-me pelo teu Nome, mas tivemos de optar pelo The Commuter, com o Liam Neeson, pois já só tínhamos disponíveis as primeiras filas. 

QUOTIDIANO | Olá 2018!

2017 não foi um ano pleno. Teve momentos muito felizes, algumas novidades e experiências novas a acontecer, mas foi frustrante em alguns momentos, quase todos relacionados com a minha vida profissional. No entanto, este também foi o ano de começar a aprender a valorizar as pequenas conquistas e passos certeiros, de sublinhar a rosa florescente as coisas positivas, não as deixando cair em esquecimento ou impedindo que fossem minimizadas pelos marcos menos bons do ano. Tenho vindo a aprender a agradecer por tudo o que tenho, por mais pequeno que seja, não a uma entidade espiritual, mas a mim mesma e aos meus. É a mim e a eles que devo tudo o que tenho e consigo e está na altura de me e lhes agradecer por isso. No terceiro dia de 2018 faço uma reflexão do que foi o meu ano de 2017, já com imensa vontade de registar os marcos do novo ano. 

SOLIDARIEDADE | "Déjà Lu", Livraria Solidária

Uma das minhas resoluções para o novo ano é: Ler mais. Vou definir como objectivo ler cerca de 15 livros em 2018, desafio que será estabelecido no Goodreads assim que terminar o ano e espero, sinceramente, ser capaz de o cumprir. Não fui muito ambiciosa no número, é verdade, mas deve-se ao facto de saber que já será um verdadeiro desafio ler a quantidade a que me comprometi. Não gosto de ler por obrigação, mas sim à medida que me é possível e que a minha disposição e tempo livre permitem. Por isso, deixei a fasquia no mínimo e vou aproveitar o meu novo ano literário da melhor forma. 


CINEMA | Os Meus Filmes Favoritos para ver no Natal

Para mim qualquer altura é adequada para ver filmes. Filmes de (quase) todos os géneros, a qualquer altura do dia. Mas confesso, e sei que não estou sozinha nisto, que o Outono/Inverno e o Natal são épocas ainda mais propicias e convidativas a longos serões no sofá, pipocas e companhia acolhedora, certo? Os filmes que reuni para esta publicação não são exclusivamente sobre o Natal, alguns deles têm apenas a característica comum de se passarem nesta época do ano. Mas, no geral, são filmes que nos aquecem o coração porque ora estão envoltos em magia, e falam de amor, família e união, ou apresentam-nos cenários cobertos de neve, luzes de natal. Estes são apenas alguns dos meus favoritos para (re)ver nesta época mais feliz, com vista para a árvore de natal, cheiro a sonhos no ar e meias felpudas nos pés. 


WISHLIST | Para o Natal e Aniversário

É a primeira lista de desejos que faço aqui no blogue. Aliás, é a primeira de sempre. Nunca tive o hábito de elaborar listas de presentes, até porque os meus desejos não eram suficientes para compor uma, e porque gosto muito mais do efeito surpresa de receber um presente que não esperava. Mas, apesar disso, há sempre quem pergunte o que é que preciso/ ou gostaria de ter, que não tenho, e sendo assim, este ano satisfiz algumas vontades e partilhei alguns dos meus desejos.

A poucos dias do meu aniversário, que celebro a 21 de Dezembro, lembrei-me de partilhar também convosco alguns dos meus últimos desejos materiais do ano. Tendo em conta que celebro o aniversário a 4 dias do natal, optei por compilar todos os desejos numa única lista e assim criar a minha wishlist de Aniversário e Natal numa só.


DESAFIOS | MOVIE 36

Após alguns anos de publicações, acho que não é desconhecido que adoro cinema. Vejo filmes com alguma frequência e uma das coisas que já faço e gosto, é partilhar por aqui a minha opinião sobre o que vejo. Sempre que me é possível aliar um gosto pessoal a um desafio que encontro na blogosfera, não hesito, pois acho que é uma excelente forma de dinamizar o blogue e variar conteúdos. Gosto, acima de tudo, de projectos que me desafiem a sair da rotina e a ultrapassar alguns limites, mesmo que a área seja tudo menos radical, como a de sentar no sofá e ver um filme. Já o faço habitualmente, por isso não é novidade. A novidade, esta sim, é o mais recente desafio criado pela Carolayne Ramos (Imperium), em parceria com a Sofia Costa Lima (a Sofia world) – o Movie 36.

O que é o MOVIE 36?

O desafio consiste em assistir a, pelo menos, três filmes por mês e fazer um breve resumo dos mesmos, acompanhado de uma reflexão sobre o tema que tenha surtido mais impacto em nós, promovendo assim um debate entre bloggers e leitores sobre esse mesmo tema. Esta ideia, que descobri através de uma publicação feita pela Sofia, deixou-me entusiasmada e com imensa vontade de participar. E desde logo manifestei o meu interesse. Ainda que nem sempre o ritmo diário me permita ver e fazer tudo aquilo que quero, encaro este desafio como um compromisso a que me quero dedicar. Até porque não será sacrificio nenhum. Se o objectivo de ver 3 filmes por mês, proposto pela Carolayne, for cumprido, conseguimos um total risonho de 36 filmes no final do ano, o que considero bastante desafiante. Por agora resta-me fazer a preparação mental e logistica, de modo a conseguir encaixar 3 filmes por mês, num horário algo oscilante. A motivação, pelo menos, está cá. Vamos a isso!


Participantes: Inês Vivas, VIVUS | Vanessa Martins, Make It Flower| Joana Almeida, Twice Joaninha | Joana Sousa, Jiji| Alice Ramires, Senta-te e Respira| Carolina Nelas, Thirteen| Cherry, Life of Cherry| Sónia Pinto, By The Library| Francisca Gonçalves, Francisca | Beatriz Nascimento, Brownie Abroad | Carina Tomaz, Discolored Winter | Sofia Ferreira, Por onde anda a Sofia? | Rosana Vieira, Automatic Destiny.

CINEMA | "The Force is strong with this one"


Durante anos sempre que dizia não, nunca vi Star Wars, a reacção que recebia era quase de horror e choque, como se não fosse normal ou aceitável alguém nunca ter visto a saga. Sentia-me meia fora de órbita quando me perguntavam como ou porquê. Confesso que nunca tive grande interesse pelos filmes do George Lucas. Não aprecio Ficção Científica e o universo da Guerra das Estrelas nunca me disse muito. E a verdade é que nunca antes tinha tentado ver qualquer dos filmes. 

Ao longo dos anos ouvi falar, e muito, de Star Wars e apesar de nunca ter visto absolutamente nada da saga, sabia que era composta por vários episódios, qual é o tema musical, quem é o Darth Vader e que "May the force be with you" e "I am your father" são frases míticas do filme. Sempre recebi referências de Star Wars ao longo dos anos, fosse via séries e outros filmes, anúncios publicitários ou comentários de fãs e não apreciadores da Guerra das Estrelas. 

Mas foi (só) agora, com vinte e três anos que a minha curiosidade despertou e decidi que queria ver a que é que se devia tanto entusiasmo e fanatismo. O que aconteceu foi que dei de caras com o Episódio VII, The Force Awakens a passar na televisão e pensei é desta. E foi. Comecei pelo último, é certo, mas foi o que bastou para aguçar a minha curiosidade em relação ao resto. Desde logo pesquisei sobre os filmes e sobre qual a ordem recomendada para os ver - se pela ordem de lançamento, ou pela ordem dos episódios -. E qual o meu espanto quando me deparo com cinco formas diferentes de seguir a saga, e todas elas com as suas razões e vantagens de forma a tirar o melhor proveito desta experiência! Feita a pesquisa e com alguns (pequenos) spoilers pelo caminho, pensei que talvez fosse melhor começar pelo Episódio I: The Phantom Menace e seguir a ordem cronológica dos acontecimentos. E assim fiz. 

Resultado: gostei. Mas não gostei, apenas. Gostei e muito, para dizer a verdade! 

O facto de os três primeiros episódios (I, II e III) terem retratado o passado de Darth Vader, quando este ainda não o era, fez todo o sentido para completar a saga. É nesta primeira trilogia que se percebe o que é que o motivou para passar para o lado negro da força e quem era ele antes de se tornar um poderoso Sith. Mas é também nestes primeiros episódios que somos apresentados a várias personagens importantes do universo Star Wars, desde a sua criação,  como caso do C3PO, e restantes droides, os Stormtruppers ou o Chewbaca. 

Vistos os episódios I, II e III, apressei-me a ver os restantes, mas com o tempo necessário para assimilar tudo e não perder pormenor algum. Queria ter uma experiência Star Wars o mais rica possível, na impossibilidade de recuar até à minha infância e deslumbrar-me mais cedo com este universo. Confesso que tive algum receio desta transição, pois iria passar de uma trilogia terminada em 2005, para uma com quase 30 anos. Ora, a diferença na qualidade de imagem é evidente, mas não o suficiente para me desanimar ou fazer desistir da ideia de ver tudo. Pelo contrário. Sendo a trilogia original, com personagens míticas como Luke Skywallker, Princesa Leia e Han Solo, tinha uma enorme curiosidade em conhecer a história completa que formou uma comunidade imensa de fãs. Depois de tudo isto, fiquei ainda mais satisfeita quando me apercebi que, finalmente, poderia entender as referências a Star Wars em The Big Bang Theory. Imaginam o meu entusiasmo? É possível que não.

Hoje, 7 filmes depois (8, contando com Rogue One) pergunto-me onde é que andava para ter perdido isto? Percebi que este universo intergaláctico é muito mais do que uma luta do bem contra o mal. E posso não ser capaz de ter conversas ricas e longas sobre o filme ou de dar detalhes intrincados sobre algumas personagens, mas uma certeza que tenho é a de que quero rever todos os filmes em breve, porque sei que me escaparam imensos detalhes importantes da história. Dou por mim entusiasmada sempre que alguém menciona a saga e já me sinto parte deste universo. E acho que é mesmo isso. É uma emoção que transcende o filme e junta uma comunidade de fãs em torno de algo gigante. Mal posso esperar para ver The Last Jedi e rever a saga com a minha camisola do lado negro da força.

FAMÍLIA | A tradição de montar a Árvore de Natal



Sendo que o Natal é a minha época favorita do ano, não posso evitar pensar em tudo o que me fascina, agora que falta tão pouco para chegar: as ruas cheias e iluminadas, as montras decoradas, as músicas encantadas, as famílias unidas, os doces da minha avó, o cheiro a canela dos sonhos e rabanadas, a família reunida em torno da mesa, e a Árvore de Natal.

O 1º de Dezembro é, frequentemente, o dia escolhido para montar a Árvore de Natal cá em casa. E na impossibilidade de ser neste dia, é proibido passar do primeiro fim de semana do mês, desde que estejamos todos juntos. É a nossa tradição e é uma das que mais gosto de fazer em família. É o primeiro dia de magia e, ainda que a casa não fique a rebentar pelas costuras, cheia de luzes e decorações natalícias, gostamos de lhe dar um alegrete e não nos coibimos de acrescentar mais umas estrelas, fitas e velas, ou mesmo um Pai Natal na varanda.

Não fugimos muito ao tradicional: Gostamos do habitual pinheiro verde na sala, decorado com motivos dourados ou encarnados, a estrela no topo e o presépio iluminado. Mas gostamos também que esta decoração tenha o nosso cunho pessoal e, por isso, não é de estranhar encontrar bom-bons de chocolate pendurados nos ramos ou um presépio em miniatura, feito de cápsulas de café. Fazemos sempre questão de partilhar este momento, em família, como sempre acontece desde que me lembro, e no fim admirar o trabalho feito, orgulhosos. 

Para mim, um dos momentos mais especiais desta fase de vestir a casa para o Natal, é a Árvore surpresa do pai. É o seu projecto secreto. Durante algumas tardes, fecha-se na garagem, com a sua música dos Supertramp ou dos Queen e dá largas à imaginação. Gosto de o observar a fazer planos - a única etapa que partilha connosco -, de lápis na mão e testa franzida. O produto final é sempre o mesmo: uma árvore de natal personalizada para colocar na varanda. Mas a surpresa está na forma que toma e nos materiais de que é feita. Todos os anos é especial, não só por ser completamente feita de raiz pelo meu pai, mas porque é sempre diferente e original. Lembro-me de uma, há cerca de dois anos, feita de CDs riscados e em desuso, que tínhamos cá por casa. As diferentes tonalidades do verso dos CD's fez com que a parede reflectisse várias luzes, o que deu um efeito mais bonito e inesperado. Mas seja qual for o material utilizado, com mais ou menos neve artificial, o toque final é a iluminação. A árvore, toda iluminada por lâmpadas de várias cores, dá vida à nossa varanda, de tal forma que é a primeira coisa que avistamos à entrada da rua. 

Sempre gostámos de viver esta época festiva de forma completa, cumprindo tradições, pensando em presentes especiais, embrulhados com muita ternura e pensados para surpreender e aquecer o coração de quem recebe. Não somos uma família grande, mas apesar disso o nosso Natal é cheio - de sorrisos e gargalhadas, amor e partilha de histórias de natais passados e recordações de quem já não está. E este não será diferente. 

TELEVISÃO | As minhas Séries de Comédia favoritas

Não sendo muito esquisita no que a conteúdos televisivos diz respeito, sempre tive uma preferência por séries mais dramáticas, históricas ou de acção e nunca dei grande oportunidade às séries de comédia. Erradamente, sempre considerei que não tinham muito para acrescentar, ou que eram desprovidas de nexo e/ou que seria difícil fazerem-me rir como esperava. Não podia estar mais errada.

Ultimamente tenho procurado também conteúdos que não me obriguem a despender muita energia, nem me façam pensar demasiado. Tenho procurado um refugio em series que me deixem bem disposta e me permitam passar um bom bocado. E foi isso que encontrei. Estas quatro séries de que vos falo em baixo são mais do que conhecidas, algumas até já com a sua dose de temporadas e uma já finda. Mas tendo em conta a minha resistência prévia a séries de comédia, é compreensível que apenas recentemente tenha começado a descobrir o seu encanto.


LIVROS | A Montanha Entre Nós, Charles Martin


Sabem aqueles livros que deixamos na estante, sob a promessa de os lermos em breve, mas que ficam esquecidos quando adquirimos novos? Foi o que aconteceu com este de Charles Martin que resgatei dos confins da minha estante, já com uma camada de pó, quando soube que iria ter uma adaptação para o cinema. Se há coisa que gosto, é de ler os livros antes de ver a sua versão cinematográfica e, neste caso, não quis que fosse diferente.

Erradamente assumi que A Montanha entre Nós se trataria de uma tragédia demasiado romanceada, irrealista e até previsível, daí ter adiado alguns anos a sua leitura, até ao ponto de me esquecer que o tinha alguma vez comprado. Foi por acaso que reconheci o título do trailer e que a sinopse me soou conhecida e não tardei a procurá-lo na estante e a dar-lhe vida nas minhas mãos.

Li o livro em cinco dias e acabei surpreendida com o desenrolar da história. Charles Martin apresenta-nos duas personagens cujas vidas se cruzam quando o vôo de ambos é cancelado devido ao mau tempo. Desejosos de regressar a casa - Ben porque é médico e tem uma cirurgia marcada, e Ashley que casará daí a dois dias - decidem contratar um piloto privado para assim chegar a tempo aos seus compromissos. E é aqui que a aventura e a tragédia começam. O avião cai no topo de uma montanha, deixando Ashley e Ben (e Tank, o cão do piloto) sozinhos e isolados, em perigo e sem qualquer ajuda.


Todo o livro é uma descrição bastante rica da luta pela sobrevivência, de dois estranhos que se vêem confrontados com a dor, o frio, a fome e a possibilidade de nunca serem salvos, tendo de confiar um no outro para encontrar recursos e soluções, de forma a escapar com vida. Analisando a descrição é fácil fazer a assumpção de que é mais uma história de sobrevivência, no meio de uma tragédia. Mas é mais do que isso. Tem o seu factor de surpresa e imprevisibilidade que, para mim, conferem ao livro uma maior riqueza. É a história de duas personagens que, mais do que tudo, procuram sobreviver e regressar para junto dos seus e que se sustentam na força das memórias para ultrapassar uma situação aterradora. 

Admito que não seja uma história extremamente rica e surpreendente. Tem os seus lugares comuns, e é um pouco conveniente e previsível, aqui e ali, mas não deixa de ser uma boa história, que entretém e é até indutora de alguma ansiedade. Destaco a relação de cumplicidade entre Ben e Ashley que, através do sarcasmo e ironia, proporcionam momentos de algum humor, como forma de superar a tragédia. Sem esquecer as mensagens que Ben vai deixando à sua mulher, no gravador que transporta sempre consigo, que são enternecedoras e vão revelando um pouco mais sobre esta personagem, página a página. 

A Montanha Entre Nós destaca o poder da resistência humana e ainda que não tenha sido dos melhores livros que já li, deixou-me com curiosidade para ver o filme, protagonizado por Kate Winslet e Idris Elba, com data de estreia nos cinemas portugueses a 30 de Novembro.

Já leram o livro? Têm uma opinião diferente?

Título Original: The Mountain Between Us
Ano de lançamento: 2010
Páginas: 359

VIDA PROFISSIONAL | Quando as respostas não chegam...

Quando no mês de Julho do ano passado terminei o mestrado em Neuropsicologia Aplicada, nada fazia prever que, ao fim de um ano, ainda estaria a aguardar uma resposta positiva que me permitisse iniciar o estágio profissional para a Ordem dos Psicólogos, a fim de dar início à minha vida profissional. Nada.

O dia trinta e um de Julho de dois mil e dezasseis foi o meu último enquanto estagiária do Gabinete de Neuropsicologia do Hospital e foi um dia de emoções variadas. Foi o dia das últimas vezes enquanto estagiária – a última vez a entrar no gabinete, a última vez a sair do gabinete, a última vez a vestir a bata três tamanhos acima (verdade, era um vestido), a última vez que chamei os utentes pelo intercomunicador, que dei os últimos apertos de mão, a última vez que tomei café no bar do Hospital e que almocei com a Rita, às duas horas da tarde, a última vez que redigi um relatório e dei uma avaliação por terminada, que fiquei horas no arquivo à procura de um processo, a última vez que subi até aos internamentos e conheci histórias de vida diferentes, a última vez que percorri os corredores quentes do hospital e que me perdi de cada vez que tinha de ir a um sitio diferente. Foram as últimas vezes como estagiária curricular que permitiram muitas primeiras.

Estes dez meses marcaram a primeira vez que senti que o meu trabalho fazia a diferença, a primeira vez que me senti útil e valorizada na minha área, a primeira vez que recebi elogios sinceros ao meu esforço e dedicação, a primeira vez que acreditaram que conseguia superar-me e que me fizeram acreditar que era capaz. Despedi-me de tudo com um brilho nos olhos, sabendo que iria sair de lá uma Inês diferente, com mais saber, experiência e mais bagagem de vida... de vidas.

Um ano depois continuo à espera e aprendi novos sentidos da palavra resiliência. Já chorei muito e já recuperei a força e a motivação muitas mais vezes. Acredito que a minha oportunidade está a chegar em breve e não posso, nem quero, baixar os braços e deixar de tentar. Não tem sido um processo fácil - viver em constante expectativa e ansiedade por algo que tarda em chegar e, pior ainda, sem qualquer feedback ou previsão, tem-me deixado cansada e desmotivada. Fica tudo em suspenso... 

No entanto esta minha espera não é, nem nunca foi, feita de braços cruzados. Fui a várias entrevistas, fiz inúmeros contactos e pedidos e desloquei-me a algumas instituições, apresentando uma proposta de estágio. Mas tendo em conta as exigências da Ordem a que pertencerei, nem todas - ou quase nenhumas - as instituiçõesm disponibilidade e/ou condições para as cumprir, tornando esta etapa completamente desesperante e quase impossível de cumprir. Felizmente tive a receptividade de um centro de reabilitação, na área da Paralisia Cerebral, onde estou, há cerca de seis meses, a realizar um estágio de observação, enquanto aguardo pela aprovação do estágio profissional. Foi-me concedida esta oportunidade, que agarrei de imediato e, desde então, a minha esperança tem vindo a crescer.

Durante este tempo tenho procurado enriquecer os meus conhecimentos e o meu currículo e, no espaço de um ano realizei dois cursos de formação avançada. No meio de tudo isto, tenho tido sorte - sim -, porque não estou parada. Acho que o pior de tudo é mesmo a ausência de actividade e a sensação de nos entregarmos à frustração quando parece que estamos a remar no sentido oposto à corrente. É importante que nos mantenhamos activos e ocupados, evitando assim os pensamentos negativos de ineficácia e desvalorização, que tanto teimam em aparecer quando estamos mais em baixo. 

Quero com isto dizer que, apesar de nem todos os caminhos serem fáceis - alguns com mais solavancos e desvios, do que outros -, importa que não desistamos, nem deixemos de fazer esse caminho quando as coisas se complicam. Claro que é importante perceber se determinado esforço vale a pena, em prol de determinado desfecho, mas quando percebemos que sim, então que avancemos com toda a força e motivação, pois no final o resultado será muito mais prazeroso. 

CINEMA | Collateral Beauty (2016)

Ontem voltei a ver o filme Collateral Beauty, depois de o ter visto pela primeira vez quando estreou no cinema. Na altura fui com duas amigas, sem qualquer ideia do filme que iríamos escolher. Por isso, naturalmente, a escolha foi feita com base no cartaz, no nome do filme e no grupo de actores que o compunha. E, dessa forma, foi impossível ignorar e não escolher um filme que no mesmo ecrã reunia Will Smith, Kate Winslet, Edward Norton, Helen Mirren e Keira Knightley. Certo? Ontem reparei que tinha dado num dos canais de cinema, há alguns dias, e não quis perder a oportunidade de o rever e mostrar à minha família.

O filme centra-se em Howard - a personagem interpretada por Will Smith -, que vive uma depressão profunda, após ter passado por uma tragédia pessoal. Howard vive em completo estado de alienação de tudo o que o rodeia, negligenciando a sua vida profissional, os seus amigos, e ele próprio. Num acto de desespero decide escrever três cartas endereçadas ao Tempo, ao Amor e à Morte, desabafando a sua angústia e raiva relativamente a cada um destes conceitos. A surpresa acontece quando recebe respostas que não esperava, numa tentativa de ser ajudado a ultrapassar o pior momento da sua vida. 

O filme fala, essencialmente, sobre a morte - esse monstro difícil de aceitar - e o luto, e na forma como é vivido de forma diferente, conforme a singularidade e os recursos de cada um. Aborda a vivência difícil que é perder-se alguém que se ama e ver-se confrontado com a continuação da vida, quando já não se encontra sentido para ela. Este foi, sem grandes dúvidas, um dos melhores filmes que vi ultimamente. Surpreendeu-me muito pela excelente mensagem que passou e pela originalidade na forma como o tema foi apresentado. Está carregado de mensagens subliminares e é uma história emocionante e poderosa que, apesar de tocar num tema difícil, é suavizada pela forma como escolheram abordá-la, mostrando que com os ingredientes e intervenientes necessários, com mais ou menos tempo, é possível ultrapassar uma situação completamente disruptiva e destruidora. 

É um filme que recomendo, por ser um bom Drama, inteligente, provocador e triste, mas não ao ponto de nos deixar completamente de rastos, mas daqueles cujo fim nos aquece o coração. Afinal é envolto em todo o espírito do Natal e Ano Novo - Esta que é a época das reflexões e na qual passamos tanto tempo a recordar o que foi feito, quanto a pensar no futuro, numa tentativa de fazer melhor. O filme facilita reflexões e possibilita novos começos e encaixa perfeitamente num serão de fim-de-semana, com o aconchego de uma manta, junto das nossas pessoas.


Já conheciam o filme? Quais são as vossas opiniões?

Breathe in and breathe out

Depois de uma semana húmida e repleta de chuva, o fim de semana passado começou harmonioso, apesar de mais fresco. Foram os primeiros dias em que senti que o Outono queria aparecer em força e contrariar o finca-pé do verão, de tal forma que não dispensei o casaco nem uma manta sobre as pernas à noite e, como me é costume nas mudanças de temperatura, esgotei o primeiro pacote de lenços. Mas nada disso fez esmorecer todo o espírito de aproveitar o fim de semana da melhor forma. A meio da tarde tínhamos o alpendre iluminado pelo sol, num cenário convidativo a um passeio ao ar livre. Mas contrariamente ao que fiz pela manhã, decidi pegar num livro e, enrolada no meu lenço, sentei-me encostada à madeira aquecida pelo sol, procurando a posição mais confortável para assim ficar até que o interesse no livro assim o permitisse. O sol aquecia-me as costas, mas nem por isso dispensei um lenço ao pescoço, para me proteger do ar bastante fresco, já a querer instalar o Outono de vez. 


Li pouco mais de meia centena de páginas d'A ciência e a magia em Harry Potter e parei quando a vontade de apreciar tudo o resto se sobrepôs aos encantos da magia de Hogwarts. Senti-me a relaxar  de uma forma que raramente consigo. Por norma tenho uma enorme dificuldade em descontrair e deixar-me levar pelos momentos, tal é a minha tensão diária. No entanto, durante aquela hora passada no alpendre, senti-me liberta e vazia - no bom sentido - de preocupações, tensões e constrangimentos. Estava um fim de tarde sereno, que nem os primeiros minutos de calma após uma tempestade. E, no fundo, foi. Senti a natureza como que a respirar novamente após as agressões que tem sofrido ultimamente, e a lembrar que é importante preservá-la. Durante aquele fim de tarde tive direito a um pouco de tudo: ouvi corvos a pairar, com os seus chamados característicos, senti o vento fresco no rosto e a relva fria nas minhas mãos. Ao mesmo tempo que observava um céu com poucas nuvens, respirei fundo e tentei captar a tranquilidade abundante naquela tarde em família e guardá-la para mim, como forma de me abastecer para os dias próximos. 

RETROSPECTIVA | Setembro 2017

Não sendo a maior fã de grandes alterações na minha rotina diária, sempre gostei da mudança que o final do Verão carrega. Tal como quando andava na escola e faculdade, a chegada de Setembro significava sempre um novo rumo, novos caminhos, novas pessoas, cheiros e rotinas. Mais do que o ano novo civil, um novo ano lectivo transmitiu-me sempre uma sensação de renovação, reinvenção e uma nova oportunidade para construir e fazer de novo ou simplesmente para dar uma nova roupagem ao que está a ser feito. E foi com esta sensação de renovação que comecei Setembro.

A três meses do final do ano, Setembro chegou com novidades, regressos à rotina e a possibilidade de novos projectos. Foi um mês de aniversários de pessoas importantes, de celebrar etapas e lembrar momentos marcantes. De aproveitar os últimos dias de um verão muito positivo e de fazer alguns planos e marcações na agenda, como não conseguia fazer há já alguns meses. 

Em Setembro retomei o estágio de observação que iniciei em Maio; inscrevi-me e comecei um curso de formação avançada numa área da Psicologia em que sinto que devo investir; fui a mais uma entrevista e voltei à carga e contactei, novamente, dezenas de instituições, propondo um estágio profissional. Nem sempre é fácil encontrar a motivação certa para continuar a insistir, sem desanimar. Mas sei que só tentando muito e insistindo e lembrando que estou aqui é que conseguirei uma oportunidade.

Em Setembro também li mais do que nos meses precedentes e investi em mais literatura, comprometendo-me a ler num registo praticamente diário. A leitura sempre fez parte da minha vida, mas nos últimos dois anos negligenciei este meu gosto, porque não consegui conciliá-lo com a exigência do mestrado. Mas estou a redimir-me e com muita motivação para me perder por entre muitas páginas de histórias. 

Com Setembro chegou o Outono que é, provavelmente, uma das minhas estações de eleição. Sou uma pessoa de tempo ameno e por isso recebo de braços abertos - e casacos a postos -, a estação das folhas no chão, das cores terra, das castanhas assadas e das manhãs frias, mas ensolaradas. 

Setembro também foi um mês em que dediquei mais tempo ao blogue, ainda que não seja visível esse investimento no imediato. Estou a trabalhar para algo novo, o que exige mais tempo, dedicação e uma motivação acrescida. O facto de ter traçado este objectivo, traduziu-se numa maior fonte de rendimento e estou satisfeita pela mudança. Não será uma diferença incrível mas será, seguramente, algo novo e, neste momento, é disso que preciso. 

Setembro termina em bem e senti-o como uma lufada de ar fresco, o que me deixa expectante para o que trará Outubro.

FILMES | O Herói de Hacksaw Ridge (2016)

Todos os anos, por volta da altura em que são divulgados os filmes nomeados aos óscares, penso sempre que os conseguirei ver todos. Mas o que acontece é que vejo apenas dois ou três, com alguma sorte, e vou vendo os outros à medida que estreiam em televisão. Foi o que aconteceu com O Herói de Hacksaw Ridge que, desde o primeiro trailer, foi acrescentado à minha lista. Gosto de filmes de guerra, emocionantes, realistas e, acima de tudo, credíveis. Gosto ainda mais quando posso aliar a estas características o facto de ser um filme baseado numa história verídica. Para mim é sempre um aspecto determinante na escolha. O factor Mel Gibson na direcção também pesou na decisão.

Escrevo sobre O Herói de Hacksaw Ridge ainda com um nó na garganta e a lembrar os meus olhos em água na noite de segunda-feira passada. Estávamos reunidos em família, na sala, no nosso ritual habitual de inicio de noite, de comando na mão em busca do filme ou série que nos iria fazer companhia, cientes de que provavelmente não iríamos conseguir permanecer de olhos abertos por mais de 20 minutos. Inesperadamente, não foi o que aconteceu. Parei de fazer zapping quando dei conta do filme que estava a dar no TVCine 1, ainda no inicio. Após aprovação de todos, recomecei o filme para vermos os minutos iniciais. E foi uma excelente ideia.

Esta é a história verídica de Desmond Doss, um jovem que combate na Batalha de Okinawa - uma das mais sangrentas da segunda guerra mundial - sem disparar uma única arma. Apesar de Doss compreender a existência da Guerra, acreditava que era errado matar, independentemente das razões. Desta forma, alista-se como médico do exército e, sem pegar numa arma, salva 75 soldados das linhas do inimigo, sozinho, ferido e rejeitado.

Para mim, este foi um testemunho emocionante de força e resiliência de um jovem que poderia ter desistido da sua missão aos primeiros sinais de contrariedade, mas que, de forma surpreendente, resistiu a todas as tentativas de sabotagem às suas crenças, sempre com uma enorme força e vontade de salvar vidas. Não me esqueço do momento "Lord, help me get one more". Fiquei positivamente surpreendida com a entrega de Andrew Garfield - que só conhecia pelo Fantástico Homem-Aranha - a um papel tão cru e emotivo quanto a história permitiu que fosse. Desmond foi um homem incrivelmente altruísta em vida e muito fiel às suas e ideias e crenças, absolutamente merecedor da sua Medalha de Honra. 

Este filme é mais um daqueles que nos apresenta figuras muito pouco, ou nada, conhecidas com um impacto tão positivo e enriquecedor no mundo, que não merecem manter-se apenas em páginas perdidas.

LIVROS | BELGRAVIA, Julian Fellowes



Depois de ver Downton Abbey nunca mais fui a mesma e após a série ter terminado definitivamente, ficou um vazio no espaço que antes era ocupado por uma das produções televisivas que mais gostei de ver até hoje (não sou nada dramática, pois não?). Agora fora de brincadeiras, a verdade é que a qualidade da série - com os seus cenários de época lindíssimos, o guarda-roupa realista, os diálogos ricos e completos - elevou as minhas expectativas no que diz respeito a séries de época e fez-me querer ver (e ler) mais. 

Foi com grande surpresa e agrado que descobri o mais recente livro de Julian Fellowes - o autor da série inglesa - e não demorou muito para que o comprasse, assim que tive a oportunidade. Fiquei imediatamente satisfeita com a capa, mas ao mesmo tempo receei que se tratasse de uma história demasiado semelhante à série, que apesar de ter adorado, procurava agora algo diferente e de leitura mais desafiante. E, em parte, foi o que encontrei. Ainda que seja difícil não fazer comparações entre a série e o livro, é possível dissociar uma coisa da outra, dada a natureza diferente da história de Belgravia.

A narrativa começa em 1815, às portas da Batalha de Waterloo e foca a acção principal num grande segredo que envolve duas famílias - os aristocratas de grandes posses Belassis e os, mais modestos, Trenchard - que não podiam ser mais diferentes. Contudo, para espanto de muitos e desagrado de alguns, os seus destinos cruzam-se e, após 20 anos, começa a ser um problema manter alguns segredos escondidos. Esta é a história principal do livro, ainda que com algumas ramificações. Mas praticamente tudo gira em torno destas duas famílias. 


Belgravia foi uma história que me satisfez, no geral. Confesso que durante os primeiros capítulos tentei apressar a leitura e não senti que estava a ser incrível ou tão interessante quanto esperava. Mas aí atribuo a culpa apenas a mim própria. Pois apesar de achar fabuloso o relato realista da época, do glamour das recepções e das festas, dos costumes conservadores e das relações conturbadas, ansiava por saber qual seria o segredo complicado que alimentaria a história até ao final. E talvez também esperasse mais dos diálogos, confesso. Julian Fellowes habituo-nos a uma riqueza tal que essa era uma das características que esperava ver dominante na sua escrita.

Para quem ainda não recuperou do final de Downton Abbey, este é o livro que entretém, ao mesmo tempo que nos deixa novamente imersos no mundo da aristocracia britânica, no seio de famílias nobres do reino unido. A história não é completamente imprevisível, mas alimenta a curiosidade até ao final. No entanto, se esperam encontrar o tipo de romance tortuoso de Lady Mary e Mathew Crawley ou destinos fatídicos como o de Sybil e Tom, ficarão desapontados. Mas talvez a chave esteja em não nos apegarmos à série e fazermos uma leitura livre de expectativas, suposições e comparações.

BELGRAVIA
Julian Fellowes
402 Páginas