TELEVISÃO | As minhas Séries de Comédia favoritas

Não sendo muito esquisita no que a conteúdos televisivos diz respeito, sempre tive uma preferência por séries mais dramáticas, históricas ou de acção e nunca dei grande oportunidade às séries de comédia. Erradamente, sempre considerei que não tinham muito para acrescentar, ou que eram desprovidas de nexo e/ou que seria difícil fazerem-me rir como esperava. Não podia estar mais errada.

Ultimamente tenho procurado também conteúdos que não me obriguem a despender muita energia, nem me façam pensar demasiado. Tenho procurado um refugio em series que me deixem bem disposta e me permitam passar um bom bocado. E foi isso que encontrei. Estas quatro séries de que vos falo em baixo são mais do que conhecidas, algumas até já com a sua dose de temporadas e uma já finda. Mas tendo em conta a minha resistência prévia a séries de comédia, é compreensível que apenas recentemente tenha começado a descobrir o seu encanto.


TELEVISÃO | 4 Dramas Históricos que vi recentemente


Não é desconhecido que tenho um fascínio por séries e filmes de época, principalmente quando são baseados em factos verídicos. Tenho curiosidade em descobrir mais sobre a história do mundo e apesar de gostar de ler um bom livro sobre o assunto, também gosto de consumir séries e filmes, principalmente as que aliam a ficção à realidade da nossa História e permitem ao espectador uma experiência rica e entusiasmante. É por isso que gosto tanto de dramas históricos, ou period dramas, aqueles que nos dão uma visão de outros tempos e de dificuldades que, para nós, são verdadeiramente distantes e desconhecidas - os descobrimentos, as colonizações, a guerra, a religião, os reinados, o renascimento e as diferenças culturais e sociais associadas a cada período histórico. Desta forma, reuni um conjunto de séries que comecei a ver recentemente e que encaixam nesta descrição. Algumas mais, outras menos, todas elas retratam factos verídicos de algum pedaço da História do mundo e são as que destaco no meio de muitas. 

Jamestown (2017 - )
Depois de Downton Abbey ter exibido o seu derradeiro episódio em 2015, saber que iria estrear uma nova série cuja produção tinha a mesma assinatura, deixou-me em pulgas. A trama de Jamestown é passada em 1607, altura em que os ingleses decidiram colonizar a América e assentar na província da Virgínia - não ocupada por índios. A terra, situada à margem do rio James, foi então baptizada de Jamestown pelos primeiros colonos. Lembram-se da Pocahontas, certo? Então o nome Jamestown é capaz de não vos ser desconhecido, uma vez que o filme da Disney é passado exactamente na mesma época e local, abordando o mesmo pedaço da história da colonização da América pelos ingleses.
A nova série, exibida pela FoxLife retrata as dificuldades dos colonos na adaptação ao novo ambiente. Dificuldades essas que são apenas colmatadas com a chegada do novo governador à província. Com ele, chegam novas e boas noticias - para além de serem concedidas terras aos trabalhadores mais leais, a colónia prepara-se para receber as primeiras mulheres, passados 12 anos. São 90 e chegam com a missão de casar apenas com os homens com condições para pagar por elas, afim de assegurar a continuidade de Jamestown. 
A série foca-se na vida e experiências de três mulheres - Jocelyn, Verity e Alice -, cada uma com diferentes percursos de vida e destaca o papel importante das mesmas na colonização da província e não só. Numa época em que as mulheres eram vistas e tratadas como objectos de posse e compradas para se tornarem esposas, a demonstração de força e contrariedade perante este sistema é um dos muitos pontos positivos que destaco desta nova produção. Pelo meio assistimos a lutas entre irmãos, disputas amorosas, jogos de poder, influência e sedução que, a meu ver, são a chave para aguçar a curiosidade e a expectativa. A série conta apenas com 8 episódios na primeira temporada, já tendo sido renovada para uma segunda.

fonte: IMDb

Victoria (2016 - ) 
A primeira temporada já terminou faz meses e aguardo com muita expectativa pela segunda. Falo, claro, da série britânica Victoria. Produzida e exibida pelo canal televisivo inglês Itv, a série retrata a história da rainha Victória de Inglaterra, desde o momento em que, aos 18 anos, ascende ao trono, após a morte do Rei William IV, seu tio. A primeira temporada retrata os primeiros anos do reinado de Victória, as suas dificuldades na adaptação ao trono e o romance e casamento com o Príncipe Albert. Dona de uma beleza indiscutível, a actriz Jenna Coleman interpreta uma jovem rainha muito pouco dada a seguir ordens ou protocolos. A sua tenra idade e baixa estatura iludem os mais interesseiros, que a vêem como uma rainha vulnerável e fácil de manipular. Contudo, o orgulho e a teimosia de Victória, aliados a conselhos sábios, ajudam-na a ganhar alguma credibilidade e respeito junto do Parlamento. No entanto esta será uma luta feita passo a passo e nada fácil.
A série conquistou-me desde o primeiro momento pela belíssima produção, cenários e enredo e acho que tem muito para evoluir. A primeira temporada está a ser transmitida novamente pela RTP1. A segunda tem estreia marcada para o final deste ano e continuará a abordar a luta de Victória no seu papel de rainha, bem como a gestão da sua vida pessoal, com o seu marido e filhos. 

fonte: IMDb

The Halcyon (2017 - )
A promessa era a de que seria a nova Downton Abbey (2010-2015), repleta de drama, tragédia e algum escândalo, no seio da sociedade britânica, mas desta vez centrada no quotidiano dos trabalhadores e donos de um prestigiado hotel de cinco estrelas, em tempo de guerra. Com grande foco na classe trabalhadora, The Halcyon é uma série passada em 1940, que nos dá uma perspectiva diferente da Segunda Guerra Mundial - O foco não está no "campo de batalha", nem nos planos estratégicos dos soldados, mas sim no quotidiano da sociedade londrina durante este período e no impacto da guerra na vida dos seus habitantes.
Na minha opinião, The Halcyon conquista pela música de época, pelo retrato das festas e do glamour dos anos quarenta. Não é nenhuma Downton Abbey - dificilmente alguma outra será -, mas cumpre a promessa de nos envolver nas vidas dos personagens, no terror da incerteza do dia seguinte, perante um cenário bélico, literalmente, à sua porta. 
Ainda sem confirmação para uma segunda temporada, The Halcyon terminou sem um desfecho, deixando muitas histórias em suspenso. Ainda que considere que poderia ser melhor em alguns aspectos, espero por, pelo menos, mais uma temporada, de forma a dar continuidade e encerramento a certos enredos.

fonte: IMDb

Medici: Masters of Florence (2016 - )
Mais um drama, mais uma série de época. Desta vez uma co-produção Italiana e Britânica, passada em Florença, no século XV, durante a dinastia Medici. A série tem como protagonista Cosimo de' Medici - que poderão reconhecer de Game of Thrones -, herdeiro do Banco de Medici em consequência da morte do pai, Giovanni di Bicci de Medici, após este ter sido envenenado. Cosimo assume a liderança de uma das famílias mais poderosas da época, enquanto se questiona sobre a misteriosa morte do pai. A série foca frequentemente o passado da família Medici, 20 anos antes, altura em que o jovem Cosimo sonhava com uma vida de artista, rejeitando seguir os planos do pai e tornar-se banqueiro. Retrata a ascensão do patriarca da família, desde a criação do seu próprio banco, em 1397, até se tornar num dos homens mais ricos e poderosos da Europa. A série destaca a paixão de Cosimo pela arte e arquitectura e assume o papel importante do mesmo no Renascimento.
A série, com 8 episódios, está a ser transmitida pela RTP1 e ainda que esteja muito no inicio da temporada, acho que tem o enredo necessário para me manter expectante até ao fim. É um drama politico, cheio de intriga, conspirações e a sua dose de drama e tragédia, numa época medieval marcada pela forte influência e poder da igreja e palco do nascimento do Renascimento. 

fonte: IMDb

TELEVISÃO | Os Desenhos Animados da minha infância


Num dos dias do mês de Março em que o tempo não convidou a passeios ao ar livre, mas sim a sofá e mantas, estava a fazer um rápido zapping na televisão, até que cheguei aos canais de animação e acabei por parar no Cartoon Network. Num momento de completo aborrecimento decidi assistir a qualquer programa que estivesse a dar no momento. Tristemente, seja porque já não tenho 5 ou 10 anos, ou porque os meus gostos e interesses televisivos se alteraram, não encontrei nenhum programa que me suscitasse interesse. Dias depois, em conversa com uma amiga, falamos sobre os Desenhos Animados da nossa infância e partilhamos quais os nossos favoritos. Entre diferenças e semelhanças, acabamos por viver uns minutos muito nostálgicos, a relembrar personagens caricatas, episódios marcantes e canções de abertura. 
Hoje, a propósito do Dia Internacional da Criança, partilho convosco alguns dos Desenhos Animados que marcaram a minha infância, por diversos motivos. Sintam-se à vontade para partilhar também os vossos programas de animação de eleição. E apertem os cintos para o que será uma breve viagem até aos meus anos '90. 
Quem se lembra do cão cor-de-rosa que tinha medo de tudo? Era o Courage e vivia com os seus donos  - um casal de idosos - numa propriedade no meio do nada. Em cada episódio Courage, Muriel e Eustace enfrentavam aventuras bizarras e paranormais, envolvendo criaturas sobrenaturais. Para mim tudo era um pouco assustador na série - a atmosfera, os bonecos medonhos e o suspense. Parece contraditório, um Desenho Animado para crianças, que tem por base o suspense e o terror. Mas a verdade é que a série entretinha e animava, pois apesar do pavor do Courage por tudo o que mexia, era hilariante acompanhar as suas aventuras a tentar salvar os donos das criaturas mais assustadoras. 

| Scooby-Doo (1969-1970)
E no seguimento de programas de animação que me arrepiavam de medo, não podia deixar de lembrar a dupla menos corajosa desta lista. O Shaggy e o Scooby preenchiam as minhas manhãs e lembro-me das gargalhadas que soltava enquanto assistia às aventuras da dupla na tentativa de resolução de mistérios, sempre à boleia da Mistery Machine - uma carrinha pão-de-forma azul e verde.  

| Tom & Jerry (1940-1967) 
É impossível falar de Desenhos Animados e não falar em Tom & Jerry. A dupla de rivais mais caricata de sempre. Era hilariante assistir às inúmeras tentativas do Tom na caça ao Jerry e nos seus falhanços consequentes por causa da perspicácia e alguma sorte do rato. Confesso que por vezes tinha pena do Tom. Mas, apesar de ser a eterna rivalidade entre gato e rato que dava vida à serie, eu adorava os momentos em que ambos demonstravam preocupação um pelo outro e quando colocavam as suas diferenças de lado com o intuito de atingir um objectivo em comum, ou pelo bem de terceiros.   

| Looney Tunes (1930-1969)
O universo Looney Tunes sempre ocupou um lugar de destaque na minha estante de cassetes. Eram várias as que coleccionava e gostava, especialmente, de uma versão que condensava duas cassetes numa mesma caixa. Lá dentro encontrava pequenos episódios com as personagens mais emblemáticas da série. O ícone Bugs Bunny ("Eh, what's up, Doc?") era uma das minhas personagens favoritas, no entanto muitos outros fizeram a minha infância muito alegre, como as duplas de rivais Coyote e Papa-Léguas (Bip Bip!) e Sylvester & Tweety ("I tawt I taw a puddy-tat!") e o Daffy Duck ("You're dethpicable.") .

| A Carrinha Mágica - The Magic School Bus (1994-1997)
Era fã da extravagante Professora Caracóis e das suas visitas de estudo, que de vulgares e normais nada tinham. Desejava secretamente que a minha professora primária fosse como a caracóis, cuja forma didáctica e única de ensinar ciências cativava até os mais preguiçosos. Cada episódio era uma aventura à descoberta de mais conhecimento, a bordo da carrinha amarela, que se transformava e adaptava a cada destino escolhido - fosse numa viagem pelo espaço, pelos oceanos ou à descoberta do corpo humano. Em cada viagem era explorado um novo tema, relacionado com a física, a química e a biologia e mantinha entretido e interessado qualquer pessoa que assistisse.

| Recreio (Recess, 1997-2001)
Lembro-me de ver o Disney Kids, na Sic, e esperar ansiosa pelo tocar da campainha, que anunciava o início da série. Na altura não tinha Disney Channel e o sábado era o dia em que podia assistir às aventuras e traquinices do Vince e dos seus cinco amigos, durante o recreio na Escola Primária. Lembro-me de adorar a Gretchen e de não gostar nada da rígida Miss Finster, que adorava estragar as brincadeiras das crianças no recreio e nutria um ódio especial pelo Vince.

| The Powerpuff Girls (1998-2005)
Não tinha uma única amiga que não gostasse das Powerpuff Girls e era imperativo ver e comentar cada episódio no A.T.L, depois da escola. A série acompanhava as aventuras de três raparigas com super-poderes, na constante tentativa de salvar a cidade de Townsville (*ler com a entoação do narrador) de crimes, monstros e do vilão Mojo Jojo. Criadas em laboratório pelo Professor, a Blossom, a Bubbles e a Buttercup eram o recurso do Mayor quando a cidade estava sob ataque. As Powerpuff Girls voavam, eram super fortes, ágeis e rápidas, super-poderes que lhes conferiam as capacidades necessárias para salvar a cidade.

Nesta, já longa, lista de Desenhos Animados da minha infância incluo muitos outros, como a Brandy & Mr. Whiskers, Dave o Bárbaro, Cow & Chicken, Oliver & Benji, O Tritão de Ned e Johnny Bravo. E adorava descobrir quais foram as séries de animação que recordam com mais carinho. Diverti-me muito a recordar todas estas séries, pois acompanharam o meu crescimento e simbolizam uma grande parte da minha infância feliz. Desafio-vos a fazer o mesmo!

TELEVISÃO | Festival Eurovisão da Canção


A nossa participação na Eurovisão foi das poucas cuja canção foi cantada na língua do próprio país, e não em inglês. A nossa participação foi a única realizada no palco mais pequeno e intimista. Foi a única sem recurso a jogos incríveis de luzes, fogo de artifício, bailarinos e coro. Bastou o Salvador, a sua voz incrível e uma música simples, mas com uma mensagem tão bonita, que fez dez milhões acreditar. Pela primeira vez tive orgulho na nossa participação. Pela primeira vez acreditei. Pela primeira vez torci pela nossa canção, convicta de que era possível. E foi. Portugal venceu o Festival Eurovisão da Canção!

Imagem | @mariansimao 

TELEVISÃO | This Is Us


This Is Us teve uma promoção fantástica. A FoxLife apostou forte e eu estava muito entusiasmada, ao mesmo tempo que receava que a divulgação publicitária fosse maior do que a série e que o resultado desiludisse. Mas o meu entusiasmo foi recompensado e fiquei colada ao sofá desde o primeiro instante.

This Is Us conquistou-me desde o primeiro episódio. É um drama familiar apresentado de forma muito original pela NBC. Mostra-nos um grupo de personagens, cujos caminhos e histórias se cruzam e que se encontra ligado pela partilha do dia de aniversário... mas não só. A série é muito mais do que isto, mas para a perceberem têm de a ver. 

Não é por acaso que foi divulgada como sendo "real", "complicada" e "sobre a vida", porque é. É tudo isto e muito mais. A série desafia-nos a pensar nas nossas vidas e nas pessoas que fazem parte dela e que amamos. Oferece-nos uma perspectiva mais real, crua e verdadeira do que é o quotidiano, do que são as experiências,  as vitórias e as derrotas, sendo muito mais fácil identificar-nos com estas personagens do que com outras de qualquer outra série televisiva. This Is Us não mascara uma cena mediana com uma banda-sonora mágica, que nos leva a adorar o momento. O foco é dado às personagens, aos diálogos cheios de verdade, às pessoas e às suas vidas reais e complicadas. A história deles é também a nossa. E resulta tão bem.
Episódio a episódio tenho vindo a apaixonar-me pela história e pelos seus intervenientes. E é difícil escolher uma personagem favorita, pois todas elas têm as suas peculiaridades e características, que lhes conferem genuinidade e que me cativam ainda mais a cada episódio. Semanalmente vou descobrindo mais sobre o Jack e a Rebecca, a Kate, o Kevin e o Randall e cada vez os percebo mais e gosto mais disto.

A primeira temporada já terminou nos EUA e, dada a popularidade junto dos espectadores, a série foi renovada para mais duas. Ainda estou a alguns episódios do fim, mas já foram vários os momentos que me deixaram emocionada, boquiaberta, de sorriso rasgado e de lágrima no olho, tanto que quis de imediato partilhar convosco um dos momentos mais bonitos de um dos últimos episódios que vi. Para mim significou uma mensagem importante, fruto de um momento genuíno e de enorme simplicidade, sobre a inevitável ligação entre cada um de nós e sobre a pintura colorida que é a vida.

"I painted this because I felt like the play was about life and life is full of color and we each get to come along and we add our own color to the painting, you know? And even though it's not very big (the painting) you sort of have to figure that it goes on forever, in each direction. Like, to infinity. 'Cause that's kinda like life. It's really crazy, if you think about it, that a hundred years ago some guy that I never met came to this country with a suitcase. He has a son, who has a son, who has me. So at first when I was painting I was thinking, maybe that was that guy's part of the painting and then down here that's my part of the painting. And then I started to think... well... what if we're all in the painting... everywhere? And what if we're in the painting before we're born? What if we're in it after we die? And these colors that we keep adding, they just keep getting added on top of one another, 'til eventually we're not even different colors anymore. We're just... one thing. One painting. (...)

It all just sort of fits somehow, even if you don't understand how yet. People will die in our lives - - people that we love. In the future. Maybe tomorrow. Maybe years from now. It's kind of beautiful if you think about it, the fact that just because someone dies, just because you can't see them or talk to them anymore, it doesn't mean they're not still in the painting. I think maybe that's the point of the whole thing. There's no dying. There's no 'You' or 'Me' or 'Them.' It's just 'Us.' And this sloppy, wild, colorful, magical thing that has no beginning, has no end, it's right here. I think it's us".

Imagens | NBC, This Is Us