SOLIDARIEDADE | "Déjà Lu", Livraria Solidária

Uma das minhas resoluções para o novo ano é: Ler mais. Vou definir como objectivo ler cerca de 15 livros em 2018, desafio que será estabelecido no Goodreads assim que terminar o ano e espero, sinceramente, ser capaz de o cumprir. Não fui muito ambiciosa no número, é verdade, mas deve-se ao facto de saber que já será um verdadeiro desafio ler a quantidade a que me comprometi. Não gosto de ler por obrigação, mas sim à medida que me é possível e que a minha disposição e tempo livre permitem. Por isso, deixei a fasquia no mínimo e vou aproveitar o meu novo ano literário da melhor forma. 


CINEMA | Os Meus Filmes Favoritos para ver no Natal

Para mim qualquer altura é adequada para ver filmes. Filmes de (quase) todos os géneros, a qualquer altura do dia. Mas confesso, e sei que não estou sozinha nisto, que o Outono/Inverno e o Natal são épocas ainda mais propicias e convidativas a longos serões no sofá, pipocas e companhia acolhedora, certo? Os filmes que reuni para esta publicação não são exclusivamente sobre o Natal, alguns deles têm apenas a característica comum de se passarem nesta época do ano. Mas, no geral, são filmes que nos aquecem o coração porque ora estão envoltos em magia, e falam de amor, família e união, ou apresentam-nos cenários cobertos de neve, luzes de natal. Estes são apenas alguns dos meus favoritos para (re)ver nesta época mais feliz, com vista para a árvore de natal, cheiro a sonhos no ar e meias felpudas nos pés. 


WISHLIST | Para o Natal e Aniversário

É a primeira lista de desejos que faço aqui no blogue. Aliás, é a primeira de sempre. Nunca tive o hábito de elaborar listas de presentes, até porque os meus desejos não eram suficientes para compor uma, e porque gosto muito mais do efeito surpresa de receber um presente que não esperava. Mas, apesar disso, há sempre quem pergunte o que é que preciso/ ou gostaria de ter, que não tenho, e sendo assim, este ano satisfiz algumas vontades e partilhei alguns dos meus desejos.

A poucos dias do meu aniversário, que celebro a 21 de Dezembro, lembrei-me de partilhar também convosco alguns dos meus últimos desejos materiais do ano. Tendo em conta que celebro o aniversário a 4 dias do natal, optei por compilar todos os desejos numa única lista e assim criar a minha wishlist de Aniversário e Natal numa só.


DESAFIOS | MOVIE 36

Após alguns anos de publicações, acho que não é desconhecido que adoro cinema. Vejo filmes com alguma frequência e uma das coisas que já faço e gosto, é partilhar por aqui a minha opinião sobre o que vejo. Sempre que me é possível aliar um gosto pessoal a um desafio que encontro na blogosfera, não hesito, pois acho que é uma excelente forma de dinamizar o blogue e variar conteúdos. Gosto, acima de tudo, de projectos que me desafiem a sair da rotina e a ultrapassar alguns limites, mesmo que a área seja tudo menos radical, como a de sentar no sofá e ver um filme. Já o faço habitualmente, por isso não é novidade. A novidade, esta sim, é o mais recente desafio criado pela Carolayne Ramos (Imperium), em parceria com a Sofia Costa Lima (a Sofia world) – o Movie 36.

O que é o MOVIE 36?

O desafio consiste em assistir a, pelo menos, três filmes por mês e fazer um breve resumo dos mesmos, acompanhado de uma reflexão sobre o tema que tenha surtido mais impacto em nós, promovendo assim um debate entre bloggers e leitores sobre esse mesmo tema. Esta ideia, que descobri através de uma publicação feita pela Sofia, deixou-me entusiasmada e com imensa vontade de participar. E desde logo manifestei o meu interesse. Ainda que nem sempre o ritmo diário me permita ver e fazer tudo aquilo que quero, encaro este desafio como um compromisso a que me quero dedicar. Até porque não será sacrificio nenhum. Se o objectivo de ver 3 filmes por mês, proposto pela Carolayne, for cumprido, conseguimos um total risonho de 36 filmes no final do ano, o que considero bastante desafiante. Por agora resta-me fazer a preparação mental e logistica, de modo a conseguir encaixar 3 filmes por mês, num horário algo oscilante. A motivação, pelo menos, está cá. Vamos a isso!


Participantes: Inês Vivas, VIVUS | Vanessa Martins, Make It Flower| Joana Almeida, Twice Joaninha | Joana Sousa, Jiji| Alice Ramires, Senta-te e Respira| Carolina Nelas, Thirteen| Cherry, Life of Cherry| Sónia Pinto, By The Library| Francisca Gonçalves, Francisca | Beatriz Nascimento, Brownie Abroad | Carina Tomaz, Discolored Winter | Sofia Ferreira, Por onde anda a Sofia? | Rosana Vieira, Automatic Destiny.

CINEMA | "The Force is strong with this one"


Durante anos sempre que dizia não, nunca vi Star Wars, a reacção que recebia era quase de horror e choque, como se não fosse normal ou aceitável alguém nunca ter visto a saga. Sentia-me meia fora de órbita quando me perguntavam como ou porquê. Confesso que nunca tive grande interesse pelos filmes do George Lucas. Não aprecio Ficção Científica e o universo da Guerra das Estrelas nunca me disse muito. E a verdade é que nunca antes tinha tentado ver qualquer dos filmes. 

Ao longo dos anos ouvi falar, e muito, de Star Wars e apesar de nunca ter visto absolutamente nada da saga, sabia que era composta por vários episódios, qual é o tema musical, quem é o Darth Vader e que "May the force be with you" e "I am your father" são frases míticas do filme. Sempre recebi referências de Star Wars ao longo dos anos, fosse via séries e outros filmes, anúncios publicitários ou comentários de fãs e não apreciadores da Guerra das Estrelas. 

Mas foi (só) agora, com vinte e três anos que a minha curiosidade despertou e decidi que queria ver a que é que se devia tanto entusiasmo e fanatismo. O que aconteceu foi que dei de caras com o Episódio VII, The Force Awakens a passar na televisão e pensei é desta. E foi. Comecei pelo último, é certo, mas foi o que bastou para aguçar a minha curiosidade em relação ao resto. Desde logo pesquisei sobre os filmes e sobre qual a ordem recomendada para os ver - se pela ordem de lançamento, ou pela ordem dos episódios -. E qual o meu espanto quando me deparo com cinco formas diferentes de seguir a saga, e todas elas com as suas razões e vantagens de forma a tirar o melhor proveito desta experiência! Feita a pesquisa e com alguns (pequenos) spoilers pelo caminho, pensei que talvez fosse melhor começar pelo Episódio I: The Phantom Menace e seguir a ordem cronológica dos acontecimentos. E assim fiz. 

Resultado: gostei. Mas não gostei, apenas. Gostei e muito, para dizer a verdade! 

O facto de os três primeiros episódios (I, II e III) terem retratado o passado de Darth Vader, quando este ainda não o era, fez todo o sentido para completar a saga. É nesta primeira trilogia que se percebe o que é que o motivou para passar para o lado negro da força e quem era ele antes de se tornar um poderoso Sith. Mas é também nestes primeiros episódios que somos apresentados a várias personagens importantes do universo Star Wars, desde a sua criação,  como caso do C3PO, e restantes droides, os Stormtruppers ou o Chewbaca. 

Vistos os episódios I, II e III, apressei-me a ver os restantes, mas com o tempo necessário para assimilar tudo e não perder pormenor algum. Queria ter uma experiência Star Wars o mais rica possível, na impossibilidade de recuar até à minha infância e deslumbrar-me mais cedo com este universo. Confesso que tive algum receio desta transição, pois iria passar de uma trilogia terminada em 2005, para uma com quase 30 anos. Ora, a diferença na qualidade de imagem é evidente, mas não o suficiente para me desanimar ou fazer desistir da ideia de ver tudo. Pelo contrário. Sendo a trilogia original, com personagens míticas como Luke Skywallker, Princesa Leia e Han Solo, tinha uma enorme curiosidade em conhecer a história completa que formou uma comunidade imensa de fãs. Depois de tudo isto, fiquei ainda mais satisfeita quando me apercebi que, finalmente, poderia entender as referências a Star Wars em The Big Bang Theory. Imaginam o meu entusiasmo? É possível que não.

Hoje, 7 filmes depois (8, contando com Rogue One) pergunto-me onde é que andava para ter perdido isto? Percebi que este universo intergaláctico é muito mais do que uma luta do bem contra o mal. E posso não ser capaz de ter conversas ricas e longas sobre o filme ou de dar detalhes intrincados sobre algumas personagens, mas uma certeza que tenho é a de que quero rever todos os filmes em breve, porque sei que me escaparam imensos detalhes importantes da história. Dou por mim entusiasmada sempre que alguém menciona a saga e já me sinto parte deste universo. E acho que é mesmo isso. É uma emoção que transcende o filme e junta uma comunidade de fãs em torno de algo gigante. Mal posso esperar para ver The Last Jedi e rever a saga com a minha camisola do lado negro da força.

FAMÍLIA | A tradição de montar a Árvore de Natal



Sendo que o Natal é a minha época favorita do ano, não posso evitar pensar em tudo o que me fascina, agora que falta tão pouco para chegar: as ruas cheias e iluminadas, as montras decoradas, as músicas encantadas, as famílias unidas, os doces da minha avó, o cheiro a canela dos sonhos e rabanadas, a família reunida em torno da mesa, e a Árvore de Natal.

O 1º de Dezembro é, frequentemente, o dia escolhido para montar a Árvore de Natal cá em casa. E na impossibilidade de ser neste dia, é proibido passar do primeiro fim de semana do mês, desde que estejamos todos juntos. É a nossa tradição e é uma das que mais gosto de fazer em família. É o primeiro dia de magia e, ainda que a casa não fique a rebentar pelas costuras, cheia de luzes e decorações natalícias, gostamos de lhe dar um alegrete e não nos coibimos de acrescentar mais umas estrelas, fitas e velas, ou mesmo um Pai Natal na varanda.

Não fugimos muito ao tradicional: Gostamos do habitual pinheiro verde na sala, decorado com motivos dourados ou encarnados, a estrela no topo e o presépio iluminado. Mas gostamos também que esta decoração tenha o nosso cunho pessoal e, por isso, não é de estranhar encontrar bom-bons de chocolate pendurados nos ramos ou um presépio em miniatura, feito de cápsulas de café. Fazemos sempre questão de partilhar este momento, em família, como sempre acontece desde que me lembro, e no fim admirar o trabalho feito, orgulhosos. 

Para mim, um dos momentos mais especiais desta fase de vestir a casa para o Natal, é a Árvore surpresa do pai. É o seu projecto secreto. Durante algumas tardes, fecha-se na garagem, com a sua música dos Supertramp ou dos Queen e dá largas à imaginação. Gosto de o observar a fazer planos - a única etapa que partilha connosco -, de lápis na mão e testa franzida. O produto final é sempre o mesmo: uma árvore de natal personalizada para colocar na varanda. Mas a surpresa está na forma que toma e nos materiais de que é feita. Todos os anos é especial, não só por ser completamente feita de raiz pelo meu pai, mas porque é sempre diferente e original. Lembro-me de uma, há cerca de dois anos, feita de CDs riscados e em desuso, que tínhamos cá por casa. As diferentes tonalidades do verso dos CD's fez com que a parede reflectisse várias luzes, o que deu um efeito mais bonito e inesperado. Mas seja qual for o material utilizado, com mais ou menos neve artificial, o toque final é a iluminação. A árvore, toda iluminada por lâmpadas de várias cores, dá vida à nossa varanda, de tal forma que é a primeira coisa que avistamos à entrada da rua. 

Sempre gostámos de viver esta época festiva de forma completa, cumprindo tradições, pensando em presentes especiais, embrulhados com muita ternura e pensados para surpreender e aquecer o coração de quem recebe. Não somos uma família grande, mas apesar disso o nosso Natal é cheio - de sorrisos e gargalhadas, amor e partilha de histórias de natais passados e recordações de quem já não está. E este não será diferente. 

TELEVISÃO | As minhas Séries de Comédia favoritas

Não sendo muito esquisita no que a conteúdos televisivos diz respeito, sempre tive uma preferência por séries mais dramáticas, históricas ou de acção e nunca dei grande oportunidade às séries de comédia. Erradamente, sempre considerei que não tinham muito para acrescentar, ou que eram desprovidas de nexo e/ou que seria difícil fazerem-me rir como esperava. Não podia estar mais errada.

Ultimamente tenho procurado também conteúdos que não me obriguem a despender muita energia, nem me façam pensar demasiado. Tenho procurado um refugio em series que me deixem bem disposta e me permitam passar um bom bocado. E foi isso que encontrei. Estas quatro séries de que vos falo em baixo são mais do que conhecidas, algumas até já com a sua dose de temporadas e uma já finda. Mas tendo em conta a minha resistência prévia a séries de comédia, é compreensível que apenas recentemente tenha começado a descobrir o seu encanto.


LIVROS | A Montanha Entre Nós, Charles Martin


Sabem aqueles livros que deixamos na estante, sob a promessa de os lermos em breve, mas que ficam esquecidos quando adquirimos novos? Foi o que aconteceu com este de Charles Martin que resgatei dos confins da minha estante, já com uma camada de pó, quando soube que iria ter uma adaptação para o cinema. Se há coisa que gosto, é de ler os livros antes de ver a sua versão cinematográfica e, neste caso, não quis que fosse diferente.

Erradamente assumi que A Montanha entre Nós se trataria de uma tragédia demasiado romanceada, irrealista e até previsível, daí ter adiado alguns anos a sua leitura, até ao ponto de me esquecer que o tinha alguma vez comprado. Foi por acaso que reconheci o título do trailer e que a sinopse me soou conhecida e não tardei a procurá-lo na estante e a dar-lhe vida nas minhas mãos.

Li o livro em cinco dias e acabei surpreendida com o desenrolar da história. Charles Martin apresenta-nos duas personagens cujas vidas se cruzam quando o vôo de ambos é cancelado devido ao mau tempo. Desejosos de regressar a casa - Ben porque é médico e tem uma cirurgia marcada, e Ashley que casará daí a dois dias - decidem contratar um piloto privado para assim chegar a tempo aos seus compromissos. E é aqui que a aventura e a tragédia começam. O avião cai no topo de uma montanha, deixando Ashley e Ben (e Tank, o cão do piloto) sozinhos e isolados, em perigo e sem qualquer ajuda.


Todo o livro é uma descrição bastante rica da luta pela sobrevivência, de dois estranhos que se vêem confrontados com a dor, o frio, a fome e a possibilidade de nunca serem salvos, tendo de confiar um no outro para encontrar recursos e soluções, de forma a escapar com vida. Analisando a descrição é fácil fazer a assumpção de que é mais uma história de sobrevivência, no meio de uma tragédia. Mas é mais do que isso. Tem o seu factor de surpresa e imprevisibilidade que, para mim, conferem ao livro uma maior riqueza. É a história de duas personagens que, mais do que tudo, procuram sobreviver e regressar para junto dos seus e que se sustentam na força das memórias para ultrapassar uma situação aterradora. 

Admito que não seja uma história extremamente rica e surpreendente. Tem os seus lugares comuns, e é um pouco conveniente e previsível, aqui e ali, mas não deixa de ser uma boa história, que entretém e é até indutora de alguma ansiedade. Destaco a relação de cumplicidade entre Ben e Ashley que, através do sarcasmo e ironia, proporcionam momentos de algum humor, como forma de superar a tragédia. Sem esquecer as mensagens que Ben vai deixando à sua mulher, no gravador que transporta sempre consigo, que são enternecedoras e vão revelando um pouco mais sobre esta personagem, página a página. 

A Montanha Entre Nós destaca o poder da resistência humana e ainda que não tenha sido dos melhores livros que já li, deixou-me com curiosidade para ver o filme, protagonizado por Kate Winslet e Idris Elba, com data de estreia nos cinemas portugueses a 30 de Novembro.

Já leram o livro? Têm uma opinião diferente?

Título Original: The Mountain Between Us
Ano de lançamento: 2010
Páginas: 359

VIDA PROFISSIONAL | Quando as respostas não chegam...

Quando no mês de Julho do ano passado terminei o mestrado em Neuropsicologia Aplicada, nada fazia prever que, ao fim de um ano, ainda estaria a aguardar uma resposta positiva que me permitisse iniciar o estágio profissional para a Ordem dos Psicólogos, a fim de dar início à minha vida profissional. Nada.

O dia trinta e um de Julho de dois mil e dezasseis foi o meu último enquanto estagiária do Gabinete de Neuropsicologia do Hospital e foi um dia de emoções variadas. Foi o dia das últimas vezes enquanto estagiária – a última vez a entrar no gabinete, a última vez a sair do gabinete, a última vez a vestir a bata três tamanhos acima (verdade, era um vestido), a última vez que chamei os utentes pelo intercomunicador, que dei os últimos apertos de mão, a última vez que tomei café no bar do Hospital e que almocei com a Rita, às duas horas da tarde, a última vez que redigi um relatório e dei uma avaliação por terminada, que fiquei horas no arquivo à procura de um processo, a última vez que subi até aos internamentos e conheci histórias de vida diferentes, a última vez que percorri os corredores quentes do hospital e que me perdi de cada vez que tinha de ir a um sitio diferente. Foram as últimas vezes como estagiária curricular que permitiram muitas primeiras.

Estes dez meses marcaram a primeira vez que senti que o meu trabalho fazia a diferença, a primeira vez que me senti útil e valorizada na minha área, a primeira vez que recebi elogios sinceros ao meu esforço e dedicação, a primeira vez que acreditaram que conseguia superar-me e que me fizeram acreditar que era capaz. Despedi-me de tudo com um brilho nos olhos, sabendo que iria sair de lá uma Inês diferente, com mais saber, experiência e mais bagagem de vida... de vidas.

Um ano depois continuo à espera e aprendi novos sentidos da palavra resiliência. Já chorei muito e já recuperei a força e a motivação muitas mais vezes. Acredito que a minha oportunidade está a chegar em breve e não posso, nem quero, baixar os braços e deixar de tentar. Não tem sido um processo fácil - viver em constante expectativa e ansiedade por algo que tarda em chegar e, pior ainda, sem qualquer feedback ou previsão, tem-me deixado cansada e desmotivada. Fica tudo em suspenso... 

No entanto esta minha espera não é, nem nunca foi, feita de braços cruzados. Fui a várias entrevistas, fiz inúmeros contactos e pedidos e desloquei-me a algumas instituições, apresentando uma proposta de estágio. Mas tendo em conta as exigências da Ordem a que pertencerei, nem todas - ou quase nenhumas - as instituiçõesm disponibilidade e/ou condições para as cumprir, tornando esta etapa completamente desesperante e quase impossível de cumprir. Felizmente tive a receptividade de um centro de reabilitação, na área da Paralisia Cerebral, onde estou, há cerca de seis meses, a realizar um estágio de observação, enquanto aguardo pela aprovação do estágio profissional. Foi-me concedida esta oportunidade, que agarrei de imediato e, desde então, a minha esperança tem vindo a crescer.

Durante este tempo tenho procurado enriquecer os meus conhecimentos e o meu currículo e, no espaço de um ano realizei dois cursos de formação avançada. No meio de tudo isto, tenho tido sorte - sim -, porque não estou parada. Acho que o pior de tudo é mesmo a ausência de actividade e a sensação de nos entregarmos à frustração quando parece que estamos a remar no sentido oposto à corrente. É importante que nos mantenhamos activos e ocupados, evitando assim os pensamentos negativos de ineficácia e desvalorização, que tanto teimam em aparecer quando estamos mais em baixo. 

Quero com isto dizer que, apesar de nem todos os caminhos serem fáceis - alguns com mais solavancos e desvios, do que outros -, importa que não desistamos, nem deixemos de fazer esse caminho quando as coisas se complicam. Claro que é importante perceber se determinado esforço vale a pena, em prol de determinado desfecho, mas quando percebemos que sim, então que avancemos com toda a força e motivação, pois no final o resultado será muito mais prazeroso. 

CINEMA | Collateral Beauty (2016)

Ontem voltei a ver o filme Collateral Beauty, depois de o ter visto pela primeira vez quando estreou no cinema. Na altura fui com duas amigas, sem qualquer ideia do filme que iríamos escolher. Por isso, naturalmente, a escolha foi feita com base no cartaz, no nome do filme e no grupo de actores que o compunha. E, dessa forma, foi impossível ignorar e não escolher um filme que no mesmo ecrã reunia Will Smith, Kate Winslet, Edward Norton, Helen Mirren e Keira Knightley. Certo? Ontem reparei que tinha dado num dos canais de cinema, há alguns dias, e não quis perder a oportunidade de o rever e mostrar à minha família.

O filme centra-se em Howard - a personagem interpretada por Will Smith -, que vive uma depressão profunda, após ter passado por uma tragédia pessoal. Howard vive em completo estado de alienação de tudo o que o rodeia, negligenciando a sua vida profissional, os seus amigos, e ele próprio. Num acto de desespero decide escrever três cartas endereçadas ao Tempo, ao Amor e à Morte, desabafando a sua angústia e raiva relativamente a cada um destes conceitos. A surpresa acontece quando recebe respostas que não esperava, numa tentativa de ser ajudado a ultrapassar o pior momento da sua vida. 

O filme fala, essencialmente, sobre a morte - esse monstro difícil de aceitar - e o luto, e na forma como é vivido de forma diferente, conforme a singularidade e os recursos de cada um. Aborda a vivência difícil que é perder-se alguém que se ama e ver-se confrontado com a continuação da vida, quando já não se encontra sentido para ela. Este foi, sem grandes dúvidas, um dos melhores filmes que vi ultimamente. Surpreendeu-me muito pela excelente mensagem que passou e pela originalidade na forma como o tema foi apresentado. Está carregado de mensagens subliminares e é uma história emocionante e poderosa que, apesar de tocar num tema difícil, é suavizada pela forma como escolheram abordá-la, mostrando que com os ingredientes e intervenientes necessários, com mais ou menos tempo, é possível ultrapassar uma situação completamente disruptiva e destruidora. 

É um filme que recomendo, por ser um bom Drama, inteligente, provocador e triste, mas não ao ponto de nos deixar completamente de rastos, mas daqueles cujo fim nos aquece o coração. Afinal é envolto em todo o espírito do Natal e Ano Novo - Esta que é a época das reflexões e na qual passamos tanto tempo a recordar o que foi feito, quanto a pensar no futuro, numa tentativa de fazer melhor. O filme facilita reflexões e possibilita novos começos e encaixa perfeitamente num serão de fim-de-semana, com o aconchego de uma manta, junto das nossas pessoas.


Já conheciam o filme? Quais são as vossas opiniões?

Breathe in and breathe out

Depois de uma semana húmida e repleta de chuva, o fim de semana passado começou harmonioso, apesar de mais fresco. Foram os primeiros dias em que senti que o Outono queria aparecer em força e contrariar o finca-pé do verão, de tal forma que não dispensei o casaco nem uma manta sobre as pernas à noite e, como me é costume nas mudanças de temperatura, esgotei o primeiro pacote de lenços. Mas nada disso fez esmorecer todo o espírito de aproveitar o fim de semana da melhor forma. A meio da tarde tínhamos o alpendre iluminado pelo sol, num cenário convidativo a um passeio ao ar livre. Mas contrariamente ao que fiz pela manhã, decidi pegar num livro e, enrolada no meu lenço, sentei-me encostada à madeira aquecida pelo sol, procurando a posição mais confortável para assim ficar até que o interesse no livro assim o permitisse. O sol aquecia-me as costas, mas nem por isso dispensei um lenço ao pescoço, para me proteger do ar bastante fresco, já a querer instalar o Outono de vez. 


Li pouco mais de meia centena de páginas d'A ciência e a magia em Harry Potter e parei quando a vontade de apreciar tudo o resto se sobrepôs aos encantos da magia de Hogwarts. Senti-me a relaxar  de uma forma que raramente consigo. Por norma tenho uma enorme dificuldade em descontrair e deixar-me levar pelos momentos, tal é a minha tensão diária. No entanto, durante aquela hora passada no alpendre, senti-me liberta e vazia - no bom sentido - de preocupações, tensões e constrangimentos. Estava um fim de tarde sereno, que nem os primeiros minutos de calma após uma tempestade. E, no fundo, foi. Senti a natureza como que a respirar novamente após as agressões que tem sofrido ultimamente, e a lembrar que é importante preservá-la. Durante aquele fim de tarde tive direito a um pouco de tudo: ouvi corvos a pairar, com os seus chamados característicos, senti o vento fresco no rosto e a relva fria nas minhas mãos. Ao mesmo tempo que observava um céu com poucas nuvens, respirei fundo e tentei captar a tranquilidade abundante naquela tarde em família e guardá-la para mim, como forma de me abastecer para os dias próximos. 

RETROSPECTIVA | Setembro 2017

Não sendo a maior fã de grandes alterações na minha rotina diária, sempre gostei da mudança que o final do Verão carrega. Tal como quando andava na escola e faculdade, a chegada de Setembro significava sempre um novo rumo, novos caminhos, novas pessoas, cheiros e rotinas. Mais do que o ano novo civil, um novo ano lectivo transmitiu-me sempre uma sensação de renovação, reinvenção e uma nova oportunidade para construir e fazer de novo ou simplesmente para dar uma nova roupagem ao que está a ser feito. E foi com esta sensação de renovação que comecei Setembro.

A três meses do final do ano, Setembro chegou com novidades, regressos à rotina e a possibilidade de novos projectos. Foi um mês de aniversários de pessoas importantes, de celebrar etapas e lembrar momentos marcantes. De aproveitar os últimos dias de um verão muito positivo e de fazer alguns planos e marcações na agenda, como não conseguia fazer há já alguns meses. 

Em Setembro retomei o estágio de observação que iniciei em Maio; inscrevi-me e comecei um curso de formação avançada numa área da Psicologia em que sinto que devo investir; fui a mais uma entrevista e voltei à carga e contactei, novamente, dezenas de instituições, propondo um estágio profissional. Nem sempre é fácil encontrar a motivação certa para continuar a insistir, sem desanimar. Mas sei que só tentando muito e insistindo e lembrando que estou aqui é que conseguirei uma oportunidade.

Em Setembro também li mais do que nos meses precedentes e investi em mais literatura, comprometendo-me a ler num registo praticamente diário. A leitura sempre fez parte da minha vida, mas nos últimos dois anos negligenciei este meu gosto, porque não consegui conciliá-lo com a exigência do mestrado. Mas estou a redimir-me e com muita motivação para me perder por entre muitas páginas de histórias. 

Com Setembro chegou o Outono que é, provavelmente, uma das minhas estações de eleição. Sou uma pessoa de tempo ameno e por isso recebo de braços abertos - e casacos a postos -, a estação das folhas no chão, das cores terra, das castanhas assadas e das manhãs frias, mas ensolaradas. 

Setembro também foi um mês em que dediquei mais tempo ao blogue, ainda que não seja visível esse investimento no imediato. Estou a trabalhar para algo novo, o que exige mais tempo, dedicação e uma motivação acrescida. O facto de ter traçado este objectivo, traduziu-se numa maior fonte de rendimento e estou satisfeita pela mudança. Não será uma diferença incrível mas será, seguramente, algo novo e, neste momento, é disso que preciso. 

Setembro termina em bem e senti-o como uma lufada de ar fresco, o que me deixa expectante para o que trará Outubro.

FILMES | O Herói de Hacksaw Ridge (2016)

Todos os anos, por volta da altura em que são divulgados os filmes nomeados aos óscares, penso sempre que os conseguirei ver todos. Mas o que acontece é que vejo apenas dois ou três, com alguma sorte, e vou vendo os outros à medida que estreiam em televisão. Foi o que aconteceu com O Herói de Hacksaw Ridge que, desde o primeiro trailer, foi acrescentado à minha lista. Gosto de filmes de guerra, emocionantes, realistas e, acima de tudo, credíveis. Gosto ainda mais quando posso aliar a estas características o facto de ser um filme baseado numa história verídica. Para mim é sempre um aspecto determinante na escolha. O factor Mel Gibson na direcção também pesou na decisão.

Escrevo sobre O Herói de Hacksaw Ridge ainda com um nó na garganta e a lembrar os meus olhos em água na noite de segunda-feira passada. Estávamos reunidos em família, na sala, no nosso ritual habitual de inicio de noite, de comando na mão em busca do filme ou série que nos iria fazer companhia, cientes de que provavelmente não iríamos conseguir permanecer de olhos abertos por mais de 20 minutos. Inesperadamente, não foi o que aconteceu. Parei de fazer zapping quando dei conta do filme que estava a dar no TVCine 1, ainda no inicio. Após aprovação de todos, recomecei o filme para vermos os minutos iniciais. E foi uma excelente ideia.

Esta é a história verídica de Desmond Doss, um jovem que combate na Batalha de Okinawa - uma das mais sangrentas da segunda guerra mundial - sem disparar uma única arma. Apesar de Doss compreender a existência da Guerra, acreditava que era errado matar, independentemente das razões. Desta forma, alista-se como médico do exército e, sem pegar numa arma, salva 75 soldados das linhas do inimigo, sozinho, ferido e rejeitado.

Para mim, este foi um testemunho emocionante de força e resiliência de um jovem que poderia ter desistido da sua missão aos primeiros sinais de contrariedade, mas que, de forma surpreendente, resistiu a todas as tentativas de sabotagem às suas crenças, sempre com uma enorme força e vontade de salvar vidas. Não me esqueço do momento "Lord, help me get one more". Fiquei positivamente surpreendida com a entrega de Andrew Garfield - que só conhecia pelo Fantástico Homem-Aranha - a um papel tão cru e emotivo quanto a história permitiu que fosse. Desmond foi um homem incrivelmente altruísta em vida e muito fiel às suas e ideias e crenças, absolutamente merecedor da sua Medalha de Honra. 

Este filme é mais um daqueles que nos apresenta figuras muito pouco, ou nada, conhecidas com um impacto tão positivo e enriquecedor no mundo, que não merecem manter-se apenas em páginas perdidas.

LIVROS | BELGRAVIA, Julian Fellowes



Depois de ver Downton Abbey nunca mais fui a mesma e após a série ter terminado definitivamente, ficou um vazio no espaço que antes era ocupado por uma das produções televisivas que mais gostei de ver até hoje (não sou nada dramática, pois não?). Agora fora de brincadeiras, a verdade é que a qualidade da série - com os seus cenários de época lindíssimos, o guarda-roupa realista, os diálogos ricos e completos - elevou as minhas expectativas no que diz respeito a séries de época e fez-me querer ver (e ler) mais. 

Foi com grande surpresa e agrado que descobri o mais recente livro de Julian Fellowes - o autor da série inglesa - e não demorou muito para que o comprasse, assim que tive a oportunidade. Fiquei imediatamente satisfeita com a capa, mas ao mesmo tempo receei que se tratasse de uma história demasiado semelhante à série, que apesar de ter adorado, procurava agora algo diferente e de leitura mais desafiante. E, em parte, foi o que encontrei. Ainda que seja difícil não fazer comparações entre a série e o livro, é possível dissociar uma coisa da outra, dada a natureza diferente da história de Belgravia.

A narrativa começa em 1815, às portas da Batalha de Waterloo e foca a acção principal num grande segredo que envolve duas famílias - os aristocratas de grandes posses Belassis e os, mais modestos, Trenchard - que não podiam ser mais diferentes. Contudo, para espanto de muitos e desagrado de alguns, os seus destinos cruzam-se e, após 20 anos, começa a ser um problema manter alguns segredos escondidos. Esta é a história principal do livro, ainda que com algumas ramificações. Mas praticamente tudo gira em torno destas duas famílias. 


Belgravia foi uma história que me satisfez, no geral. Confesso que durante os primeiros capítulos tentei apressar a leitura e não senti que estava a ser incrível ou tão interessante quanto esperava. Mas aí atribuo a culpa apenas a mim própria. Pois apesar de achar fabuloso o relato realista da época, do glamour das recepções e das festas, dos costumes conservadores e das relações conturbadas, ansiava por saber qual seria o segredo complicado que alimentaria a história até ao final. E talvez também esperasse mais dos diálogos, confesso. Julian Fellowes habituo-nos a uma riqueza tal que essa era uma das características que esperava ver dominante na sua escrita.

Para quem ainda não recuperou do final de Downton Abbey, este é o livro que entretém, ao mesmo tempo que nos deixa novamente imersos no mundo da aristocracia britânica, no seio de famílias nobres do reino unido. A história não é completamente imprevisível, mas alimenta a curiosidade até ao final. No entanto, se esperam encontrar o tipo de romance tortuoso de Lady Mary e Mathew Crawley ou destinos fatídicos como o de Sybil e Tom, ficarão desapontados. Mas talvez a chave esteja em não nos apegarmos à série e fazermos uma leitura livre de expectativas, suposições e comparações.

BELGRAVIA
Julian Fellowes
402 Páginas

LIVROS | 5 livros para ler até ao fim do ano


Ainda restam três meses a 2017 - e que passem a uma velocidade moderada -, no entanto não estou satisfeita com o número de livros lidos até agora, pois foram poucos, tendo em conta o objectivo estabelecido no início do ano. Desta forma, em jeito de motivação, decidi estabelecer uma lista com alguns dos livros que pretendo ler até ao final do ano. A lista não é apresentada de acordo com nenhuma preferência e os livros não pertencem a apenas uma categoria literária. São bem distintos até. Esta é uma lista que fui criando ao longo de vários meses e que inclui obras que são do meu interesse por várias razões.

FAMÍLIA | As Bodas de Prata

A semana que passou teve um início muito especial com a comemoração do aniversário de casamento dos meus pais. O dia 22 de Agosto sempre foi um marco lembrado e este ano a data teve um gosto especial pela celebração das Bodas de Prata.

Celebrámos em família, num clima descontraído, proporcionado pelas férias, e brindámos a vinte e cinco anos de união, partilha, de cumplicidade e amor. Um amor puro e sincero que me faz acreditar numa vida em conjunto, quando existe respeito, compreensão e sinceridade. 

Sinto-me uma pessoa com muita sorte por poder ter os meus pais casados e felizes ao longo de tantos anos de vida em comum. É com muito orgulho que olho para ambos e vejo neles um exemplo a seguir, em várias facetas. São bastante diferentes um do outro, mas juntos fazem sentido e dão certo, e eu gosto de me rever nas várias características de personalidade de cada um. 

Gosto de os celebrar todos os anos, fazendo com que não seja apenas mais um dia igual aos outros. Gosto que tenham o destaque e a atenção que merecem, num dia que celebra o amor que os une. 

Aos meus pais agradeço o mundo. Agradeço terem-me proporcionado uma infância feliz, repleta de beijinhos, carinhos, baloiços, chupa-chupas e filmes da Disney, agradeço toda a liberdade que me foi dada para que pudesse fazer as minhas escolhas, sempre sabendo que tinha em quem me apoiar caso o caminho fosse turbulento. Aos meus pais agradeço tudo e quero um dia poder retribuir o tanto que já me deram.


TELEVISÃO | 4 Dramas Históricos que vi recentemente


Não é desconhecido que tenho um fascínio por séries e filmes de época, principalmente quando são baseados em factos verídicos. Tenho curiosidade em descobrir mais sobre a história do mundo e apesar de gostar de ler um bom livro sobre o assunto, também gosto de consumir séries e filmes, principalmente as que aliam a ficção à realidade da nossa História e permitem ao espectador uma experiência rica e entusiasmante. É por isso que gosto tanto de dramas históricos, ou period dramas, aqueles que nos dão uma visão de outros tempos e de dificuldades que, para nós, são verdadeiramente distantes e desconhecidas - os descobrimentos, as colonizações, a guerra, a religião, os reinados, o renascimento e as diferenças culturais e sociais associadas a cada período histórico. Desta forma, reuni um conjunto de séries que comecei a ver recentemente e que encaixam nesta descrição. Algumas mais, outras menos, todas elas retratam factos verídicos de algum pedaço da História do mundo e são as que destaco no meio de muitas. 

Jamestown (2017 - )
Depois de Downton Abbey ter exibido o seu derradeiro episódio em 2015, saber que iria estrear uma nova série cuja produção tinha a mesma assinatura, deixou-me em pulgas. A trama de Jamestown é passada em 1607, altura em que os ingleses decidiram colonizar a América e assentar na província da Virgínia - não ocupada por índios. A terra, situada à margem do rio James, foi então baptizada de Jamestown pelos primeiros colonos. Lembram-se da Pocahontas, certo? Então o nome Jamestown é capaz de não vos ser desconhecido, uma vez que o filme da Disney é passado exactamente na mesma época e local, abordando o mesmo pedaço da história da colonização da América pelos ingleses.
A nova série, exibida pela FoxLife retrata as dificuldades dos colonos na adaptação ao novo ambiente. Dificuldades essas que são apenas colmatadas com a chegada do novo governador à província. Com ele, chegam novas e boas noticias - para além de serem concedidas terras aos trabalhadores mais leais, a colónia prepara-se para receber as primeiras mulheres, passados 12 anos. São 90 e chegam com a missão de casar apenas com os homens com condições para pagar por elas, afim de assegurar a continuidade de Jamestown. 
A série foca-se na vida e experiências de três mulheres - Jocelyn, Verity e Alice -, cada uma com diferentes percursos de vida e destaca o papel importante das mesmas na colonização da província e não só. Numa época em que as mulheres eram vistas e tratadas como objectos de posse e compradas para se tornarem esposas, a demonstração de força e contrariedade perante este sistema é um dos muitos pontos positivos que destaco desta nova produção. Pelo meio assistimos a lutas entre irmãos, disputas amorosas, jogos de poder, influência e sedução que, a meu ver, são a chave para aguçar a curiosidade e a expectativa. A série conta apenas com 8 episódios na primeira temporada, já tendo sido renovada para uma segunda.

fonte: IMDb

Victoria (2016 - ) 
A primeira temporada já terminou faz meses e aguardo com muita expectativa pela segunda. Falo, claro, da série britânica Victoria. Produzida e exibida pelo canal televisivo inglês Itv, a série retrata a história da rainha Victória de Inglaterra, desde o momento em que, aos 18 anos, ascende ao trono, após a morte do Rei William IV, seu tio. A primeira temporada retrata os primeiros anos do reinado de Victória, as suas dificuldades na adaptação ao trono e o romance e casamento com o Príncipe Albert. Dona de uma beleza indiscutível, a actriz Jenna Coleman interpreta uma jovem rainha muito pouco dada a seguir ordens ou protocolos. A sua tenra idade e baixa estatura iludem os mais interesseiros, que a vêem como uma rainha vulnerável e fácil de manipular. Contudo, o orgulho e a teimosia de Victória, aliados a conselhos sábios, ajudam-na a ganhar alguma credibilidade e respeito junto do Parlamento. No entanto esta será uma luta feita passo a passo e nada fácil.
A série conquistou-me desde o primeiro momento pela belíssima produção, cenários e enredo e acho que tem muito para evoluir. A primeira temporada está a ser transmitida novamente pela RTP1. A segunda tem estreia marcada para o final deste ano e continuará a abordar a luta de Victória no seu papel de rainha, bem como a gestão da sua vida pessoal, com o seu marido e filhos. 

fonte: IMDb

The Halcyon (2017 - )
A promessa era a de que seria a nova Downton Abbey (2010-2015), repleta de drama, tragédia e algum escândalo, no seio da sociedade britânica, mas desta vez centrada no quotidiano dos trabalhadores e donos de um prestigiado hotel de cinco estrelas, em tempo de guerra. Com grande foco na classe trabalhadora, The Halcyon é uma série passada em 1940, que nos dá uma perspectiva diferente da Segunda Guerra Mundial - O foco não está no "campo de batalha", nem nos planos estratégicos dos soldados, mas sim no quotidiano da sociedade londrina durante este período e no impacto da guerra na vida dos seus habitantes.
Na minha opinião, The Halcyon conquista pela música de época, pelo retrato das festas e do glamour dos anos quarenta. Não é nenhuma Downton Abbey - dificilmente alguma outra será -, mas cumpre a promessa de nos envolver nas vidas dos personagens, no terror da incerteza do dia seguinte, perante um cenário bélico, literalmente, à sua porta. 
Ainda sem confirmação para uma segunda temporada, The Halcyon terminou sem um desfecho, deixando muitas histórias em suspenso. Ainda que considere que poderia ser melhor em alguns aspectos, espero por, pelo menos, mais uma temporada, de forma a dar continuidade e encerramento a certos enredos.

fonte: IMDb

Medici: Masters of Florence (2016 - )
Mais um drama, mais uma série de época. Desta vez uma co-produção Italiana e Britânica, passada em Florença, no século XV, durante a dinastia Medici. A série tem como protagonista Cosimo de' Medici - que poderão reconhecer de Game of Thrones -, herdeiro do Banco de Medici em consequência da morte do pai, Giovanni di Bicci de Medici, após este ter sido envenenado. Cosimo assume a liderança de uma das famílias mais poderosas da época, enquanto se questiona sobre a misteriosa morte do pai. A série foca frequentemente o passado da família Medici, 20 anos antes, altura em que o jovem Cosimo sonhava com uma vida de artista, rejeitando seguir os planos do pai e tornar-se banqueiro. Retrata a ascensão do patriarca da família, desde a criação do seu próprio banco, em 1397, até se tornar num dos homens mais ricos e poderosos da Europa. A série destaca a paixão de Cosimo pela arte e arquitectura e assume o papel importante do mesmo no Renascimento.
A série, com 8 episódios, está a ser transmitida pela RTP1 e ainda que esteja muito no inicio da temporada, acho que tem o enredo necessário para me manter expectante até ao fim. É um drama politico, cheio de intriga, conspirações e a sua dose de drama e tragédia, numa época medieval marcada pela forte influência e poder da igreja e palco do nascimento do Renascimento. 

fonte: IMDb

| Because time won't give me time



Nos últimos dias dei por mim a reflectir sobre a brevidade e fugacidade das coisas e do medo que tenho da rapidez com que passam. Um dos meus maiores receios é o de não aproveitar tudo aquilo que tenho ao meu dispor enquanto o posso - e devo! - fazer. Tenho receio que tudo o que me é importante não dure o tempo suficiente que preciso que dure, para que possa desfrutar e, simultaneamente, habituar-me à sua ausência. 

Tragédias como as que têm manchado as páginas da história do país e do mundo, levam-me a pensar que podemos e devemos passar por cima dos pequenos contratempos diários com que somos confrontados, de situações insignificantes que, olhando ao nosso redor, não se comparam com os verdadeiros obstáculos que outros enfrentam. Fazem-me reflectir que não devo lamentar as pequenas coisas e canalizar a minha energia para o lado negativo dos acontecimentos. Para quê desesperar no trânsito da cidade ou nas filas do supermercado, ter pouca tolerância com pessoas lentas e rogar pragas às pedras da calçada por um salto arruinado? Não digo que não o façamos de todo, mas pelo menos que não lhes atribuamos uma importância desadequada. Quantas destas, e de outras, situações diárias representarão obstáculos reais e quantas delas serão obstáculos criados por nós? São estes pequenos acontecimentos diários que nos distraem do que é verdadeiramente importante e significativo. 

Cada vez tenho mais a consciência e a certeza de que não faz sentido lamentar estes pequenos grãos de areia no nosso caminho. Não faz sentido não viver plenamente, não procurar fazer aquilo que nos dá prazer, com as pessoas que nos são mais importantes. Não faz sentido guardar rancores e alimentar ódios, quando podemos direccionar a nossa energia para as coisas positivas. Acima de tudo, não gosto de ter de ser necessário ser confrontada com uma situação difícil, para reflectir sobre tudo isto e sobre a forma como tenho encarado as minhas pequenas provações diárias.