Todos os anos, por volta da altura em que são divulgados os filmes nomeados aos óscares, penso sempre que os conseguirei ver todos. Mas o que acontece é que vejo apenas dois ou três, com alguma sorte, e vou vendo os outros à medida que estreiam em televisão. Foi o que aconteceu com O Herói de Hacksaw Ridge que, desde o primeiro trailer, foi acrescentado à minha lista. Gosto de filmes de guerra, emocionantes, realistas e, acima de tudo, credíveis. Gosto ainda mais quando posso aliar a estas características o facto de ser um filme baseado numa história verídica. Para mim é sempre um aspecto determinante na escolha. O factor Mel Gibson na direcção também pesou na decisão.
Escrevo sobre O Herói de Hacksaw Ridge ainda com um nó na garganta e a lembrar os meus olhos em água na noite de segunda-feira passada. Estávamos reunidos em família, na sala, no nosso ritual habitual de inicio de noite, de comando na mão em busca do filme ou série que nos iria fazer companhia, cientes de que provavelmente não iríamos conseguir permanecer de olhos abertos por mais de 20 minutos. Inesperadamente, não foi o que aconteceu. Parei de fazer zapping quando dei conta do filme que estava a dar no TVCine 1, ainda no inicio. Após aprovação de todos, recomecei o filme para vermos os minutos iniciais. E foi uma excelente ideia.
Esta é a história verídica de Desmond Doss, um jovem que combate na Batalha de Okinawa - uma das mais sangrentas da segunda guerra mundial - sem disparar uma única arma. Apesar de Doss compreender a existência da Guerra, acreditava que era errado matar, independentemente das razões. Desta forma, alista-se como médico do exército e, sem pegar numa arma, salva 75 soldados das linhas do inimigo, sozinho, ferido e rejeitado.
Para mim, este foi um testemunho emocionante de força e resiliência de um jovem que poderia ter desistido da sua missão aos primeiros sinais de contrariedade, mas que, de forma surpreendente, resistiu a todas as tentativas de sabotagem às suas crenças, sempre com uma enorme força e vontade de salvar vidas. Não me esqueço do momento "Lord, help me get one more". Fiquei
positivamente surpreendida com a entrega de Andrew Garfield - que só
conhecia pelo Fantástico Homem-Aranha - a um papel tão cru e emotivo quanto a história permitiu que fosse. Desmond foi um homem incrivelmente altruísta em vida e muito fiel às suas e ideias e crenças, absolutamente merecedor da sua Medalha de Honra.
Este filme é mais um daqueles que nos apresenta figuras muito pouco, ou nada, conhecidas com um impacto tão positivo e enriquecedor no mundo, que não merecem manter-se apenas em páginas perdidas.
- setembro 28, 2017
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