DESAFIO || 23 anos e eu nunca...


Assim que li o título desta publicação em alguns blogues quis imediatamente replicar este desafio no meu. A ideia é original da Lyne e é uma excelente forma de partilharmos um pouco mais sobre nós, neste caso sobre coisas que nunca fizemos. A Lyne deu o mote para esta publicação e eu partilho convosco quatro coisas que ainda não fiz e que gostaria de fazer. 

Pois, com vinte e três anos eu nunca:

| Viajei sozinha
Se há experiência que quero ter é a de conhecer uma cidade por conta própria. Ter uma experiência completamente minha -comprar a viagem, reservar estadia, planear o itinerário ou ir simplesmente à aventura. Acho que é uma excelente oportunidade para aproveitarmos o nosso tempo e nos desafirmos a ser livres e responsáveis apenas por nós próprios. 

| Fiz um Interrail
Tenho uma enorme vontade de fazer um interrail, com um grupo de amigos de preferência. Adorava percorrer a famosa Route 66 - que nos leva a conhecer os EUA de costa a costa -, viajar n'O Grande Transsiberiano, entre Moscovo e Pequim e fazer uma passagem por todas as capitais europeias. Até agora só a questão monetária é que dificultou o check neste objectivo, porque os planos são mais que muitos!

| Fui ao Algarve
Esta é só parcialmente verdadeira. Fui transportada até ao Algarve quando ainda era um feto dentro da barriga da minha mãe. Tirando isso, nunca o solo algarvio sentiu a minha presença. Por norma passo as férias no interior Norte e Centro do país, longe da confusão das atracções turísticas. No entanto faz parte dos meus planos fazer umas férias no Algarve. 

| Doei sangue 
Este é um dos meus maiores objectivos desde sempre. Se o podemos fazer para ajudar os outros, porque não? Podemos doar sangue várias vezes, sem malefícios para a nossa saúde. Basta que sejamos e tenhamos hábitos de vida saudáveis, a idade certa e o peso igual ou superior a 50kg. Cumpro os dois primeiros requisitos, no entanto na balança não alcanço os valores mínimos necessários. Contudo, é um objectivo que certamente cumprirei, pois não terei sempre o mesmo peso. 

ACTUALIDADE || Dia Internacional da Mulher


O Dia Internacional da Mulher é celebrado neste dia 8 de Março desde final do século XIX e início do século XX. A ideia surgiu originalmente nos Estados Unidos e na Europa com o intuito de lembrar a luta feminina e as conquistas - a nível politico e social -, reivindicando melhores condições de vida, trabalho e o direito ao voto. A luta pela igualdade de género estendeu-se ao longo de muitas décadas, tendo ressurgido com maior expressão nos últimos anos. 

Hoje, 2017, mais de 100 anos após a primeira manifestação, ainda existe a necessidade de lembrar a igualdade - a igualdade de direitos sociais, a igualdade de direitos políticos, a igualdade salarial, a igualdade de oportunidades e o fim do preconceito. Esta data serve para lembrar a luta, mas acima de tudo as diferenças que ainda persistem, mais de um século depois. 

Hoje a luta ainda continua mas, mais do que nunca, a mudança está a acontecer. Sou optimista e acredito que estamos em maré de mudanças. Ouvem-se mais vozes, são feitas mais campanhas, as mensagens são mais fortes e chegam mais longe. Mas é preciso que a mudança seja universal e para isso não devemos deixar que se trate de uma luta individual, pois as dificuldades de afirmação e a luta  pelos mesmos direitos e pelo fim ao preconceito é de todas nós.

FAMÍLIA || O Campismo como tradição


Grande parte das minhas memórias de infância e férias em família envolvem campismo. Desde cedo que me lembro dos fins de semana passados em Alcácer do Sal, dos Verões na Nazaré e dos dias em Pedrogão Grande. O primeiro destino de mochila às costas foi o Gerês. Era inverno, eu e a minha irmã pequenas e apesar de ter chovido na maioria das noites, é indescritível o entusiasmo sentido durante os dias passados no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Foi a nossa estreia a montar e dormir numa tenda, a saber gerir e funcionar num espaço pequeno para quatro pessoas, a cozinhar num pequeno fogão a gás e a desbravar caminhos até então desconhecidos. Daí retiramos memórias impagáveis de experiências vividas pela primeira vez. Chegamos a casa com vontade de regressar de imediato e desde então não dispensamos o campismo durante as férias. Privilegiamos o contacto com a natureza e, por norma, exploramos os destinos menos turísticos de Portugal. De Norte a Sul do país, no litoral, centro ou interior, é incrível a beleza que nos circunda. Esta aventura começou há mais de dez anos e são incontáveis as memórias feitas e os locais incríveis que já conhecemos, sempre procurando assinalar mais uma marca no mapa. 

FACULDADE || O meu Estágio Curricular

No Verão de 2015 a expectativa para saber qual o local onde ia realizar o Estágio Curricular era enorme! Tanta que não parava de falar no assunto. Em Setembro soube que tinha sido aceite para estagiar num hospital da Grande Lisboa. A minha primeira reacção: SIM! foi seguida por emoções mistas, cuja principal foi: M-E-D-O! E agora?! É real. Vou sair da sala de aula e vou aprender de verdade, no mundo real, com pessoas e problemas a sério! Não é brincadeira. Serei capaz? Será que vou gostar? Será que vão gostar de mim? Mil-e-uma questões formuladas. A ansiedade era muita, mas a vontade de partir para uma nova aventura era superior e ansiava por esse passo. Hoje sei que não poderia ter feito melhor escolha!

Fui estagiar para o Gabinete de Neuropsicologia. Um gabinete pequeno para tantas pessoas, inserido no Serviço de Medicina Física e Reabilitação, que foi a minha casa durante 10 meses. O primeiro dia começou algo atribulado. Calculei mal os horários dos transportes, cheguei alguns minutos atrasada e fiz disso um pequeno drama (típico Inês!). Ninguém quer chegar atrasado no primeiro dia. É a primeira impressão e não queria que a minha fosse manchada por um atraso. No entanto, apesar do meu notório stress matinal e das mil desculpas que pedi, a situação foi completamente desvalorizada e deixaram-me descontrair antes de iniciar o meu dia (Ufa!). Conheci o Gabinete, o Serviço e as especialidades que o constituem e foi-me imediatamente entregue uma bata branca e um crachá de identificação, onde se podia ler Estagiária por baixo do meu nome. 

A primeira semana foi uma espécie de dessensibilização ao choque, pois assisti a muita coisa, conheci na prática diversas patologias, tal como vem escrito nos manuais e não só. Durante os três primeiros meses fiz observação de consultas e ensaios clínicos, estudei provas, instrumentos de avaliação e aprendi a aplicá-los. A partir de Janeiro de 2016 foi o momento de passar à prática. Passei a ser eu a estar em frente ao utente e a fazer as avaliações em contexto de ambulatório e internamento. Aprendi a fazer uma entrevista clínica, a colocar as questões acertadas, a aplicar os instrumentos de avaliação, a transmitir o feedback à família, a preparar o relatório de avaliação. Nos meses seguintes percebi como fazer as perguntas certas nos momentos certos, a ler nas entrelinhas e a perceber sintomatologias. Lidei com pessoas adequadas, bem-dispostas, contagiantes, impacientes, pouco flexíveis, agressivas, eufóricas, depressivas, apáticas. Fui colocada em situações de stress com as quais tinha de saber lidar no momento. Vi um pouco de tudo e fiz mais do que esperava. Foi a experiência mais rica e desafiante que vivi até hoje. Permitiu-me crescer de formas que não imaginava e aprender mais do que em 4 anos de faculdade.

Em Fevereiro de 2016 fui convidada pela minha orientadora a complementar o estágio com um projecto de acompanhamento psicológico a crianças em idade escolar e pré-escolar com perturbações do neurodesenvolvimento. Foi para mim um orgulho enorme receber este convite e saber que o trabalho que desenvolvia era reconhecido ao ponto de merecer a confiança de intervir junto de uma população com necessidades especiais. Foi das experiências mais entusiasmantes e felizes que tive. Posso dizer que entrava e saía das escolas de sorriso no rosto e só isso deitava por terra qualquer frustração que pudesse sentir.

Os meus dias passaram a estar ocupados até perto da hora de jantar, pois saía do hospital e rumava às escolas para mais algumas horas de acompanhamento. Foram tempos cansativos, mas o facto de poder ver tantos sorrisos satisfeitos e de acompanhar as pequenas evoluções e conquistas de sessão para sessão, fez todo o esforço valer a pena!

Hoje sinto-me muito orgulhosa do que consegui conquistar. Sei que desenvolvi um bom trabalho e mantive-me fiel às minhas crenças e convicções. Trabalhei 10 meses naquilo que queria, conheci pessoas fantásticas e fiz mais do que algum dia pensei ser capaz. Desafiei-me a fazer mais e melhor e consegui!


RETROSPECTIVA | Fevereiro 2017

Fevereiro passou num abrir e fechar de olhos. Se Janeiro trouxe muitas novidades relativamente ao meu Estágio Profissional, o mês mais curto do ano foi dedicado a tratar das burocracias necessárias ao início do processo. Recebi vários telefonemas explicativos dos procedimentos a seguir e já tenho marcada uma entrevista na entidade que me vai acolher (É já no final desta semana!). Sinto que finalmente as coisas estão a avançar e a seguir o seu rumo. Em Fevereiro fui a mais uma entrevista de emprego e assisti a um desfile de Carnaval. Reservei dias para os passeios em família e o reencontro com amigos. Eternizei memórias com fotografias e descobri novos recantos. Foi um mês positivo em experiências, pessoas e lugares, como eu gosto. Olá Março!