Com este sol que teve a bela ideia de nos fazer uma alegre visita, este fim de semana só dá mesmo vontade de levantar da cama e ir dar um passeio na praia, estar com os amigos numa espalanada, fazer um piquenique e aproveitar cada raio de sol.
Mas em vez disso estou em casa com a cabeça mergulhada nos livros, figuramente, e só consigo pensar em Regulação génica, mutações, trissomias, genética do cancro, Dna recombinante e complementar, Terapia génica, PCR, Dna Fingerprint, OGM e por aí fora...
Gosto de biologia, gosto da matéria, apesar de complexa, mas ter de ficar em casa e não poder aproveitar este dia porque tenho teste amanhã, está a dar comigo em doida.
Poderia dizer que adoro o sol, venero a lua, amo a praia, não vivo sem o mar, acalmo-me com a chuva tal como com os passarinhos a cantar pela manhã, que tudo isso seria verdade, mas dizer isso iria soar uma pouco repetitivo ou até vulgar.
(Apesar de não garantir que nunca escreverei sobre nenhum dos assuntos anteriores).
Para ser diferente mas não irreverente, digo que gosto imenso da janela do meu quarto.
Sim, aquela janela que dá para a rua, que me proporciona uma vista monótona, visto que a originalidade dos moradores da zona é tanta, que escolheram todos a cor amarela para pintar a casa. Não deixando de ser alegre, não é fantástica… mas que me conforta, pois é através desse grande quadrado mágico que posso contemplar todas essas pequenas coisas que considero imprescindíveis ao meu quotidiano.
Acordar com o sol a bater-me na cara é algo que me deixa profundamente feliz, e sentir a única brisa fresca que resta depois de uma noite quente de verão é calmante, tal como o som da chuva a cair no parapeito. Contemplar o poder da lua e as suas diferentes facetas deixa-me tão leve que por vezes sinto mesmo que posso tocá-la.
E é por todas estas pequenas coisas que me sentiria apagada se não tivesse a oportunidade de olhar pela janela e perceber o quão poderosas são estas pequenas coisas.
Inês Pinto, 23 anos | A escrever em blogues desde 2011
Uma licenciatura e um mestrado em Neuropsicologia. Sou apaixonada, não só, pelos mistérios da mente e do cérebro, como pela escrita, por livros – e pelo cheiro deles -, cinema e ar livre.
A maioria das imagens utilizadas nas publicações são retiradas de sites que as disponibilizam de forma gratuita.
As fotografias que forem da minha autoria serão devidamente identificadas. Peço que não as utilizem sem autorização prévia. Obrigada.