RWSP | Maio: Um filme de animação

O tema do mês de Maio do Rewatching Season Project era Um Filme de Animação. A escolha do filme que iria rever foi fácil e feita de imediato. Apesar de toda a nostalgia que sinto ao pensar em alguns dos meus favoritos - como A Pequena Sereia, A Bela e o Monstro, A Dama e o Vagabundo e Alladin, e os mais recentes Rapunzel ou Zootropolis -, houve um que sempre teve lugar de destaque no meio de tantos que vi ao crescer - O Rei Leão.


O Rei Leão traz-me muitas memórias, tantas que quase não cabem em mim. E é um filme que hoje revejo com o mesmo entusiasmo de antes - mas com uma melhor percepção da história, naturalmente -. Quando falo n'O Rei Leão, não me refiro apenas ao primeiro filme. Incluo também o segundo - O Reino de Simba -, que para mim superou o primeiro em alguns aspectos. Tudo no universo Rei Leão é fascinante, desde a história, aos cenários, destacando os momentos musicais e as lições valiosas que aprendi. Cresci a carregar no play do leitor de cassetes e a d'O Rei Leão era a que mais vezes era escolhida.

O Rei Leão arrebatou-me por razões mil e a Banda Sonora mágica e envolvente foi uma delas. As versões originais Can You Feel The Love Tonight e Circle of Life são intemporais e transportam-me sempre para um imaginário de sonhos, onde a felicidade reina. Mas as versões portuguesas foram as minhas predilectas, desde sempre. Ele Vive em Ti e Somos Um são tão especiais, ambas  ricas em tanto significado e mensagens valiosas. Nunca me vou esquecer d'O Amor Vencerá, interpretada pela Lúcia Moniz e pelo Henrique Feist ou da Upendi, que acompanhou um dos momentos mais bonitos e hilariantes do segundo filme, protagonizado pelo Babuíno mais carismático da história dos babuínos, o Rafiki, que falou ao coração de Kiara e Kovu, ensinando-lhes que amar é divertido.


Em relação ao enredo, ambos lembram-nos peças de Shackespeare Hamlet e Romeu e Julieta -, o que, por si só, já é um must-see. No primeiro filme assistimos às aventuras do pequeno Simba - herdeiro do reino de Mufasa. -, que é invejado pelo tio Scar. Este elabora um plano para conquistar o trono e monta uma armadilha mortal. Simba sobrevive, mas Mufasa não resiste e Scar aproveita para culpar o pequeno da morte do pai. Envergonhado, Simba foge do reino, e cresce sob a alçada de Timon e Pumba, regressando anos mais tarde para reclamar o trono.
A sequela - O Reino de Simba - relembra-nos uma história bem conhecida - duas famílias de costas voltadas e dois herdeiros que se apaixonam. Kiara, filha de Simba, e Kovu, filho de Zira que procura vingança pela morte de Scar. Kovu é herdeiro do legado de Scar e Zira deposita nele a esperança de destruir Simba e reclamar para si o Reino. Mas as circunstâncias mudam quando os dois jovens se conhecem e nasce entre eles algo maior do que o sentimento de vingança.

Para além das canções incríveis e do enredo memorável, foram os momentos de humor que também me cativaram em ambos os filmes. E que dupla melhor para nos arrancar gargalhadas que o Timon e o Pumbaa? Adoro o facto de terem tido um papel de destaque no primeiro filme, pois foram eles que ajudaram Simba a crescer, da melhor forma que conseguiram, ensinando-lhe lições importantes. E fiquei felicíssima em revê-los na sequela, ainda que com menos destaque. Hakuna Matata é, definitivamente, uma das melhores filosofias de vida de sempre! A sua problem-free filosofy faz-nos pensar que as preocupações são, muitas vezes, desmedidas, desnecessárias e nada construtivas ou saudáveis. Gostava de levar a minha vida como a deles, não a comer vermes e percevejos, mas livre de preocupações.


O Rei Leão é ainda rico em mensagens e aprendizagens impagáveis e são várias as que hoje recordo com nostalgia. Como o nosso dever de abraçar e respeitar a diversidade. Ambos os filmes oferecem-nos uma imagem lindíssima da natureza e das suas espécies. Mostram-nos que devemos respeitar tudo o que nos rodeia e viver em comunhão, pois fazemos todos parte de um todo -"Everything you see exists together in a delicate balance. As king, you need to understand that balance and respect all the creatures, from the crawling ant to the leaping antelope. When we die, our bodies become the grass, and the antelope eat the grass. And so we are all connected in the great Circle of Life."-.
Com um Simba adulto aprendi que juntos somos mesmo mais fortes, e que "a força está em sermos um". E como diz o Rafiki, não devemos ficar presos ao passado - ou fugimos e evitamos os problemas, ou aprendemos com eles -. E, na minha perspectiva, podemos sempre aprender e tirar lições valiosas dos acontecimentos, enfrentando os nossos medos. Como com o Símba, é provável que o regresso não seja fácil, mas nunca é tarde para tentar. E o resultado pode ser melhor do que o esperado.


RWSP | Abril: Um filme baseado numa história verídica


Quando penso num filme baseado numa história verídica penso, inevitavelmente, no Titanic (1997). Não consigo ser mais original do que isto. Podia falar-vos de mil-e-um filmes dentro desta categoria, porque há tantos e tão marcantes, mas acho que nenhum outro me abalou tanto e durante tanto tempo quanto este. Recentemente vi e revi The Finest Hours e In The Heart of The Sea e acho que tenho uma queda por tragédias e mar. Mas o Titanic terá sempre um lugar cativo no meu coração. 

Não me lembro da primeira vez que o vi - sei que foi durante a escola primária -, nem consigo contabilizar as vezes que o revi. Foram muitas, assumo. Posso vê-lo em qualquer altura, qualquer que seja o meu estado de humor e sei de cor a maioria das falas e a cronologia dos acontecimentos. Mas porque nunca é demais, voltei a revê-lo este ano. E duas décadas depois da estreia, ainda o considero um filme de destaque e que irei guardar na memória durante anos. Não porque me identifico com a história - felizmente -, ou porque se trata apenas de uma história de amor linda e trágica - que é -, mas porque foi grandioso, marcante e uma obra cinematográfica de grande qualidade, na minha modesta opinião de espectadora. É um filme inspirador, cativante e que me faz acreditar no amor. Sempre.
As razões que me levam a eleger o Titanic como um dos melhores filmes de sempre, na categoria das histórias verídicas, são várias e partilho-as convosco.

Retrata as grandes diferenças sócio-económicas
Titanic era considerado o navio dos sonhos. Enorme, luxuoso e deslumbrante. Nele embarcaram 1316 passageiros e apesar de ter sido pensado para ser o navio mais luxuoso da época, destinado a passageiros das mais elevadas classes, como empresários, artistas, políticos ou militares, a maioria dos passageiros pertencia à terceira classe, que incluía imigrantes de diferentes partes da Europa. A divisão era evidente - Estes passageiros foram os únicos sujeitos a rigorosos controlos sanitários, a fim de evitar possíveis contaminações e as suas instalações e acomodações eram mais modestas e ficavam situadas nos conveses inferiores, longe dos passageiros da primeira e segunda classe. 


Aborda a questão das doenças mentais
Numa altura em que era raro falar-se de doenças mentais, ainda mais raro sobre suicídio, em Titanic assistimos ao abordar da temática, através da personagem Rose, que se sente negligenciada, incompreendida e sozinha e que vive encurralada numa vida com a qual não se identifica, ao ponto de considerar o suicídio como a sua única saída. Considero que foi um pormenor importante na construção desta personagem, pois apesar de, à partida, Rose ter tudo aquilo que uma jovem da época desejaria, não tinha a liberdade de poder fazer as suas escolhas e de viver a vida como queria. É uma abordagem realista, que se ajusta e que é transversal a qualquer cenário e época.


A qualidade do elenco
É incrível a quantidade de bons actores que estão presentes no filme. Bill Paxton, Kathy Bates, Victor Garber, Kate Winslet, Leonardo DiCaprio, todos no mesmo filme? Tinha tudo para dar certo, verdade? E deu. A qualidade da representação é tão boa, que seria difícil não criarmos uma ligação com as personagens. 


O Jack e a Rose
Claro! Podem argumentar que é a típica história de amor entre a rapariga rica e o rapaz pobre. É sim. Mas a diferença e o segredo do sucesso desta dupla está na sua vulnerabilidade, na sua transparência e na sua entrega - e claro, no talento da Kate e do Leonardo -. São uma das minhas duplas preferidas no cinema e fazem-me sempre suspirar na mítica "You jump, I Jump". É certo que é apenas um filme, mas um filme que resultou e que me fez acreditar nestas duas personagens. Ela foi capaz de ver para lá do rapaz pobre, de terceira classe. E ele viu nela mais do que uma raparia bonita e rica. O seu amor foi sincero, real e poderoso, desafiando todos padrões da época.


É um embate com a realidade
É impossível ficar indiferente à tragédia que é o foco principal do filme. Ver um filme destes, com esta carga emocional, perceber que aconteceu de verdade e pensar na quantidade de vidas que se perderam, faz-nos colocar as coisas em perspectiva. Porque, de facto, nunca sabemos o dia de amanhã. Podemos achar que temos tudo controlado, fazer inúmeros planos e pensar em infinitos cenários e, mesmo assim, ter um desfecho completamente inesperado. Porque nada é certo, nem garantido. Nem nenhum navio é inafundável


É uma mensagem de esperança
Apesar de terminar sempre de coração apertado e de olhos vermelhos de tristeza, o Titanic faz-me acreditar que o amor existe. Sempre tive a sensação de que o filme pretendia transmitir uma mensagem de esperança, a esperança no amor e na sua capacidade de vencer, quaisquer que sejam as circunstâncias. E mesmo quando o desfecho é trágico ou não é o que esperamos, não quer dizer que a história tenha sido menos rica, ou que esse amor não tenha prevalecido. Pelo contrário. Prevalece a memória feliz de uma história que, apesar de curta, foi mais rica em verdade e sentimento do que muitas outras.


Para muitos o Titanic é, e sempre será, um cliché romântico, mas para mim é muito mais do que isso. Foi o filme que moldou a minha forma de ver filmes - românticos, baseados em histórias verídicas, dramas, históricos, de todo o tipo -. E arrisco-me a dizer que foi o filme que elevou os meus padrões e expectativas relativamente aos relacionamentos. Titanic fez com que, até hoje, desejasse um dia dançar ao som de música irlandesa, com a minha cara metade e uma caneca de cerveja nas mãos - apesar de não gostar de cerveja (*suspiros*).

Re-Watching Season Project (RWSP) | Março: Um Filme Favorito

O primeiro mês do projecto Re-Watching Season Project (RWSP) implicava rever e partilhar um filme favorito. E bem, não foi tarefa fácil, digo-vos já. Pensei muito na minha escolha e foi difícil optar apenas por um, uma vez que são vários os filmes que estão ao mesmo nível e que insiro na categoria dos meus favoritos. A escolha foi feita com base no meu gosto pessoal, obviamente, por isso não quer dizer que este seja o filme dos filmes e que todos deveriam vê-lo. Significa apenas que é dos que mais significa para mim e é daqueles filmes que posso ver inúmeras vezes. Revê-lo lembrou-me, mais uma vez, do porquê de ser uma das minhas escolhas quando falo em filmes favoritos.

PRIDE & PREJUDICE (2005) 


Pride and Prejudice - Orgulho e Preconceito em Português - é um filme baseado no romance histórico de Jane Austen, passado em Inglaterra no século XVIII. Conta a história de cinco irmãs de uma família humilde, mas com algumas posses - os Bennet. A família começa a fazer contas ao tempo, uma vez que, na eventualidade do pai falecer, os bens serão herdados por um primo afastado que ninguém conhece. Como tal, a felicidade e a segurança da família depende dos futuros casamentos de cada uma das filhas. A vida dos Bennet é calma e pacata até que o jovem rico Mr. Bingley chega à cidade, acompanhado pelo seu amigo, o orgulhoso Mr. Darcy, para passarem o verão. E é este momento que dita o desenrolar da história. 

Orgulho e Preconceito fala sobre amor, sim, e sobre a vida das cinco filhas dos Bennet que foram criadas pela mãe com um único propósito - casar. Enquanto a irmã mais velha se apaixona por Bingley, é Mr. Darcy que chama a atenção de Elizabeth, mas não pelos mesmos motivos. As duas personagens principais - Elizabeth Bennet (Keira Knightley) e Mr. Darcy (Matthew MacFadyen) - entram imediatamente em conflito. Ambos detentores de um carácter forte, defendem os seus ideais e recusam-se a obedecer a regras convencionais. O preconceito de Lizzy e o orgulho de Mr. Darcy tornam a interacção entre ambos difícil, provocadora e muito interessante, até que ambos se apercebem do sentimento que os une. A dificuldade reside em cada um ser capaz de aceitar o outro.


Para mim, um dos principais motivos para ver e rever o filme é a representação de Keira Knightley. Acho que os papeis históricos e sofridos lhe assentam na perfeição e ela fá-los brilhar de uma forma única. Lizzy transmite delicadeza, inteligência e confiança, é uma personagem cativante que se recusa a ser como a maioria das jovens da sua idade e não aceita casar só porque sim. É notório que a arrogância e austeridade de Mr. Darcy a incomodam, mas o jogo de palavras entre ambos é brilhante, tornando os seus diálogos o meu maior ponto de interesse.

Romances históricos de fazer aquecer o coração são os que elejo como meus favoritos e este tem lugar cativo no meu pódio já faz alguns anos. Não é rico em cenas românticas típicas. É ajustado ao tempo que retrata e, como tal, a contenção na demonstração de afectos é tida em conta. O romance está no olhar, no toque, mas essencialmente nas palavras. Essas fazem o trabalho e é esse pormenor que me faz considerar o filme tão mágico.