SOLIDARIEDADE | "Déjà Lu", Livraria Solidária

Uma das minhas resoluções para o novo ano é: Ler mais. Vou definir como objectivo ler cerca de 15 livros em 2018, desafio que será estabelecido no Goodreads assim que terminar o ano e espero, sinceramente, ser capaz de o cumprir. Não fui muito ambiciosa no número, é verdade, mas deve-se ao facto de saber que já será um verdadeiro desafio ler a quantidade a que me comprometi. Não gosto de ler por obrigação, mas sim à medida que me é possível e que a minha disposição e tempo livre permitem. Por isso, deixei a fasquia no mínimo e vou aproveitar o meu novo ano literário da melhor forma. 


LIVROS | A Montanha Entre Nós, Charles Martin


Sabem aqueles livros que deixamos na estante, sob a promessa de os lermos em breve, mas que ficam esquecidos quando adquirimos novos? Foi o que aconteceu com este de Charles Martin que resgatei dos confins da minha estante, já com uma camada de pó, quando soube que iria ter uma adaptação para o cinema. Se há coisa que gosto, é de ler os livros antes de ver a sua versão cinematográfica e, neste caso, não quis que fosse diferente.

Erradamente assumi que A Montanha entre Nós se trataria de uma tragédia demasiado romanceada, irrealista e até previsível, daí ter adiado alguns anos a sua leitura, até ao ponto de me esquecer que o tinha alguma vez comprado. Foi por acaso que reconheci o título do trailer e que a sinopse me soou conhecida e não tardei a procurá-lo na estante e a dar-lhe vida nas minhas mãos.

Li o livro em cinco dias e acabei surpreendida com o desenrolar da história. Charles Martin apresenta-nos duas personagens cujas vidas se cruzam quando o vôo de ambos é cancelado devido ao mau tempo. Desejosos de regressar a casa - Ben porque é médico e tem uma cirurgia marcada, e Ashley que casará daí a dois dias - decidem contratar um piloto privado para assim chegar a tempo aos seus compromissos. E é aqui que a aventura e a tragédia começam. O avião cai no topo de uma montanha, deixando Ashley e Ben (e Tank, o cão do piloto) sozinhos e isolados, em perigo e sem qualquer ajuda.


Todo o livro é uma descrição bastante rica da luta pela sobrevivência, de dois estranhos que se vêem confrontados com a dor, o frio, a fome e a possibilidade de nunca serem salvos, tendo de confiar um no outro para encontrar recursos e soluções, de forma a escapar com vida. Analisando a descrição é fácil fazer a assumpção de que é mais uma história de sobrevivência, no meio de uma tragédia. Mas é mais do que isso. Tem o seu factor de surpresa e imprevisibilidade que, para mim, conferem ao livro uma maior riqueza. É a história de duas personagens que, mais do que tudo, procuram sobreviver e regressar para junto dos seus e que se sustentam na força das memórias para ultrapassar uma situação aterradora. 

Admito que não seja uma história extremamente rica e surpreendente. Tem os seus lugares comuns, e é um pouco conveniente e previsível, aqui e ali, mas não deixa de ser uma boa história, que entretém e é até indutora de alguma ansiedade. Destaco a relação de cumplicidade entre Ben e Ashley que, através do sarcasmo e ironia, proporcionam momentos de algum humor, como forma de superar a tragédia. Sem esquecer as mensagens que Ben vai deixando à sua mulher, no gravador que transporta sempre consigo, que são enternecedoras e vão revelando um pouco mais sobre esta personagem, página a página. 

A Montanha Entre Nós destaca o poder da resistência humana e ainda que não tenha sido dos melhores livros que já li, deixou-me com curiosidade para ver o filme, protagonizado por Kate Winslet e Idris Elba, com data de estreia nos cinemas portugueses a 30 de Novembro.

Já leram o livro? Têm uma opinião diferente?

Título Original: The Mountain Between Us
Ano de lançamento: 2010
Páginas: 359

LIVROS | BELGRAVIA, Julian Fellowes



Depois de ver Downton Abbey nunca mais fui a mesma e após a série ter terminado definitivamente, ficou um vazio no espaço que antes era ocupado por uma das produções televisivas que mais gostei de ver até hoje (não sou nada dramática, pois não?). Agora fora de brincadeiras, a verdade é que a qualidade da série - com os seus cenários de época lindíssimos, o guarda-roupa realista, os diálogos ricos e completos - elevou as minhas expectativas no que diz respeito a séries de época e fez-me querer ver (e ler) mais. 

Foi com grande surpresa e agrado que descobri o mais recente livro de Julian Fellowes - o autor da série inglesa - e não demorou muito para que o comprasse, assim que tive a oportunidade. Fiquei imediatamente satisfeita com a capa, mas ao mesmo tempo receei que se tratasse de uma história demasiado semelhante à série, que apesar de ter adorado, procurava agora algo diferente e de leitura mais desafiante. E, em parte, foi o que encontrei. Ainda que seja difícil não fazer comparações entre a série e o livro, é possível dissociar uma coisa da outra, dada a natureza diferente da história de Belgravia.

A narrativa começa em 1815, às portas da Batalha de Waterloo e foca a acção principal num grande segredo que envolve duas famílias - os aristocratas de grandes posses Belassis e os, mais modestos, Trenchard - que não podiam ser mais diferentes. Contudo, para espanto de muitos e desagrado de alguns, os seus destinos cruzam-se e, após 20 anos, começa a ser um problema manter alguns segredos escondidos. Esta é a história principal do livro, ainda que com algumas ramificações. Mas praticamente tudo gira em torno destas duas famílias. 


Belgravia foi uma história que me satisfez, no geral. Confesso que durante os primeiros capítulos tentei apressar a leitura e não senti que estava a ser incrível ou tão interessante quanto esperava. Mas aí atribuo a culpa apenas a mim própria. Pois apesar de achar fabuloso o relato realista da época, do glamour das recepções e das festas, dos costumes conservadores e das relações conturbadas, ansiava por saber qual seria o segredo complicado que alimentaria a história até ao final. E talvez também esperasse mais dos diálogos, confesso. Julian Fellowes habituo-nos a uma riqueza tal que essa era uma das características que esperava ver dominante na sua escrita.

Para quem ainda não recuperou do final de Downton Abbey, este é o livro que entretém, ao mesmo tempo que nos deixa novamente imersos no mundo da aristocracia britânica, no seio de famílias nobres do reino unido. A história não é completamente imprevisível, mas alimenta a curiosidade até ao final. No entanto, se esperam encontrar o tipo de romance tortuoso de Lady Mary e Mathew Crawley ou destinos fatídicos como o de Sybil e Tom, ficarão desapontados. Mas talvez a chave esteja em não nos apegarmos à série e fazermos uma leitura livre de expectativas, suposições e comparações.

BELGRAVIA
Julian Fellowes
402 Páginas

LIVROS | 5 livros para ler até ao fim do ano


Ainda restam três meses a 2017 - e que passem a uma velocidade moderada -, no entanto não estou satisfeita com o número de livros lidos até agora, pois foram poucos, tendo em conta o objectivo estabelecido no início do ano. Desta forma, em jeito de motivação, decidi estabelecer uma lista com alguns dos livros que pretendo ler até ao final do ano. A lista não é apresentada de acordo com nenhuma preferência e os livros não pertencem a apenas uma categoria literária. São bem distintos até. Esta é uma lista que fui criando ao longo de vários meses e que inclui obras que são do meu interesse por várias razões.